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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2030

O navio negreiro - Castro Alves

Parte IV

Era um sonho dantesco... O tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho,
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar do açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar...

Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras, moças... mas nuas, espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs.

E ri-se a orquestra, irônica, estridente...
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais...
Se o velho arqueja... se no chão resvala,
Ouvem-se gritos... o chicote estala.
E voam mais e mais...

Presa nos elos de uma só cadeia,

A multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece...
Outro, que de martírios embrutece,
Cantando geme e ri...

No entanto o capitão manda a manobra
E após, fitando o céu que se desdobra
Tão puro sobre o mar,
Diz do fumo entre os densos nevoeiros:
"Vibrai rijo o chicote, marinheiros!
Fazei-os mais dançar!..."

E ri-se a orquestra irônica, estridente...
E da roda fantástica a serpente
Faz doudas espirais!
Qual num sonho dantesco as sombras voam...
Gritos, ais, maldições, preces ressoam!
E ri-se Satanás! ...

A terceira fase romântica é marcada por uma poesia de acentuado compromisso social. Denominada poesia condoreira, tem como símbolo o condor, cujo sentido é a liberdade de expressão e de linguagem. Victor Hugo foi o poeta francês que mais influenciou esta geração cuja poesia entra num processo de universalização, isto é, procura expressar a realidade de um grupo social.

Assim, seja por imitação dos padrões europeus, seja por simples entusiasmo romântico, o fato é que a poesia brasileira de caráter social restaurou sua identidade com o povo, anunciando o novo na vida nacional. Trata-se, portanto, de uma época de transição em que surge uma literatura preocupada com a denúncia social.

Castro Alves foi o mais importante representante da poesia condoreira no Brasil. Seus poemas sociais tratam de questões como a crença no progresso e na educação como forma de aprimoramento social, da República e, principalmente, o fim da escravidão negra. O tom vigoroso, a ressonância de seus versos, a indignação e a expressividade são elementos que consagraram o “poeta dos escravos”.


Condoreiro, a sua poesia serviu de instrumento de luta contra a escravidão, pois o seu tom de elevação era propício para récitas em locais públicos: praças, salões de leitura etc. A eloquência dos versos está evidenciada em poemas que denunciavam a vida miserável dos escravos. O poeta aproxima-se da realidade social, embora conserve ainda o idealismo e o subjetivismo românticos.


O navio negreiro” (ou “Tragédia no mar”), inserido na obra Os Escravos, é um dos poemas mais famosos de Castro Alves. Quando foi composto, em 1868, o tráfico de escravos já estava proibido no país; contudo, a escravidão e seus efeitos persistiram. Para denunciar a condição miserável e desumana dos escravos, o poeta valeu-se do drama dos negros em sua travessia da África para o Brasil.

Dividido em seis partes ( com alternância métrica variada para obter o efeito rítmico desejado em cada situação retratada), é apresentado da seguinte forma: na primeira parte, o eu lírico limita-se a descrever a atmosfera calma que sugere beleza e tranquilidade; na segunda parte, descreve marinheiros de várias nacionalidades, caracterizando-os como valentes, nobres e corajosos; na terceira parte, o eu lírico introduz a verdadeira intenção do poema – a denúncia do tráfico de escravos, através de expressões indignadas.


Na quarta parte, o eu lírico passa a descrever, com detalhes, os horrores e castigos de um navio de escravos.

Na quinta parte, ele invoca os elementos da natureza para que destruam o navio e acabem com os horrores que mancham a beleza do mar, destacando a vida livre dos negros na África e a escravidão a que são reduzidos no navio.

Finalmente, na sexta parte, ele indica a nacionalidade (brasileira), invocando os heróis do Novo Mundo, para que eles, por terem aberto novos horizontes, possam acabar com a infâmia da escravidão.



Comentários sobre o poema (parte IV)

Para receber o conteúdo completo (análise do poema), entre em contato através do e-mail:
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O texto apresentado(a parte IV de “O navio negreiro”) é a descrição do que se via no interior de um navio negreiro. Note a capacidade de Castro Alves em nos fazer “ver” a cena, como se estivéssemos em uma montagem teatral: o tombadilho do navio transformado em um palco infernal.


Os versos têm dez sílabas métricas que se alternam com versos de seis sílabas métricas; as sílabas tônicas são construídas pela sexta e a décima; o esquema das rimas é aabccb; todas as estrofes transcritas são compostas de seis versos.

O rompimento do equilíbrio métrico ( os versos são heterométricos) é uma conseqüência do quadro horroroso configurado. A descrição é crua e a cena revoltante. A repetição da terceira estrofe no final dá-lhe uma natureza de refrão.

Outro dado interessante é o emprego que o poeta faz da linguagem, trabalhando ora os adjetivos para descrever com mais expressividade o cenário e o elemento humano, ora os verbos para reforçar o dinamismo do "balé". A grandiloqüência vem com toda com toda força, onde o exagero cumpre, sem dúvida, a função de emocionar( passa a focalizar o drama que é o fulcro do poema).

Logo no início, o eu lírico compara o navio negreiro a um “sonho dantesco”. Com essa expressão, faz referência às terríveis cenas descritas pelo escritor italiano Dante Alighieri, em “O inferno”, parte da obra A divina comédia. Horroriza-se com a situação infame e vil dos negros no tombadilho( as correntes, o chicote, a multidão, o sofrimento, a “dança”macabra). O ritmo nos é dado por algumas palavras especiais de acentuada sonoridade(“tinir”, “estalar”, por exemplo).


Repare na imagem das “Negras mulheres”: não há mais leite para alimentar as “magras crianças”(somente sangue) e, por citar as “tetas”, faz-se analogia a um mero animal. Ao descrever as moças nuas (condição de ausência de proteção) espantadas, arrastadas em meio à multidão de negros esquálidos (magros), o eu lírico apela para que o leitor sinta piedade pelo sofrimento do ser humano (piedade cristã). As reticências conduzem à reflexão, à intensidade da dramaticidade diante da situação condenável, horrenda.

Do ponto de vista cromático, duas cores são postas em contraste na primeira e segunda estrofes. Estas cores são o vermelho e o preto, que compõem o dramático painel em que o sangue dos escravos contrasta com o negro de sua pele.


Há reincidente uso de imagens que sugerem desespero, sofrimento e dor. A exposição do velho arquejando(desumanização), acompanhado do chicote ( a serpente que “faz doudas espirais”), assemelha-se a de um animal, que acompanha a “orquestra”( os marinheiros aparecem representados pela orquestra que comanda a dança) sem reclamar... E essa “tragédia” se completa quando essa “multidão faminta”, que sofre sem cessar, geme de dor, chora e delira... Enfraquecidos, eles enlouquecem.


A cena é de uma crueldade atroz, já que, para se divertir, os marinheiros surram os negros. Repare no efeito expressivo da antítese que contrapõe o céu puro sobre o mar e a figura do capitão (regente da orquestra) cercado de fumaça. Ela estabelece o contraste entre a natureza como obra divina e a escravidão como obra demoníaca.


Depois de apresentar o navio como uma visão dantesca, uma figura diabólica (que também aparece no final da obra “A divina comédia”) é utilizada para o desfecho da última estrofe, finalizando a quarta parte do poema. O eu lírico ressalta o prazer (novamente exposto pelo verbo “rir”) daqueles que torturam (uma orquestra irônica, estridente)em oposição ao sofrimento dos escravos (um trágico balé dançado) para deleite de Satanás.

Observe algumas figuras de linguagem em destaque no poema:

Metáfora
“Era um sonho dantesco” (referência às cenas horríveis descritas por de Dante Alighieri no “Inferno” de sua Divina Comédia),
“ a serpente faz doudas espirais...”( a serpente seria o chicote usado pelos marinheiros),
“E ri-se a orquestra irônica”( a expressão caracteriza os marinheiros que comandam a dança).

Hipérbato
“Que das luzernas avermelha o brilho”( a ordem direta seria: Que o brilho das luzenas avermelha).

Comparação
“Legiões de homens negros como a noite”.

Hipérbole
“No turbilhão de espectros arrastadas”,
“sangue a se banhar”

Metonímia
“O chicote estala”.


A poesia abolicionista de Castro Alves demonstra que ele aprendeu muito bem o que ensinava o “mestre” Victor Hugo, ou seja, a possibilidade de registrar artisticamente não apenas o belo, mas, também, o grotesco. Nesse sentido, o condor francês lega ao condor brasileiro a audácia das imagens, no empenho da luta.


“O navio negreiro” – considerado seu melhor trabalho nesse campo – ilustra muito bem como o poeta tratava o tema: a escravidão negra era vista como uma instituição inadmissível num mundo que caminhava para um futuro melhor, em que o progresso tecnológico daria ao homem condições mais dignas de existência.

segunda-feira, 23 de agosto de 2021

Regência nominal



Regência
é o processo sintático no qual um termo depende gramaticalmente de outro.

Regência nominal é o nome da relação existente entre um substantivo, adjetivo ou advérbio transitivos e seu respectivo complemento. Essa relação é sempre intermediada por uma preposição.

Há nomes que admitem mais de uma preposição sem que o sentido seja alterado.

Estou habituado a esse tipo de interferência. / Estou habituado com esse tipo de interferência.

Estou acostumado a esse tipo de desserviço. / Estou acostumado com esse tipo de desserviço.

Preposição? Mas afinal, o que é uma preposição?

Preposição é uma palavra invariável que estabelece relação entre os termos de uma mesma oração (liga palavras entre si)

Fugiram    de    medo.

Como se vê, a preposição "de" está ligando duas palavras entre si, estabelecendo relação de causa entre elas.

ObservaçãoAs preposições dividem-se em dois grupos: essenciais e acidentais. As essenciais são aquelas que sempre foram preposições: a, ante, após, até, com, contra, de, desde, em, entre, para, perante, por, sem, sob, sobre, trás.

Já as acidentais são palavras de outras classes gramaticais que passaram a funcionar também como preposição: conforme, consoante, segundo, mediante, como, durante, exceto, fora etc.

Há um traço distintivo entre as essenciais e as acidentais. As essenciais regem pronome oblíquo: a mim, contra si, de ti. As acidentais são usadas com pronome no caso reto: como tu, conforme eu, segundo ele.

Há outros nomes, porém, que, dependendo do sentido, pedem uma ou outra preposição.

Isso reflete sua consideração por pessoas idôneas. (respeito)

Propuseram suas considerações  sobre a literatura portuguesa. (comentários, reflexões)

Preciso justificar a minha falta à assembleia. (ausência)

Estou em falta com meus parentes; não os procuro faz tempo (dúvida, culpa)

Outro exemplo  de regência nominal:

Ele   tem   amor   à   vida

(amor: termo regente)           (vida: termo regido) 


Relação de alguns nomes com suas preposições mais usuais

ADMIRAÇÃO – a, por

AVERSÃO – a, para, por

ATENTADO – a, contra

BACHAREL – em

CAPACIDADE – de, para

DEVOÇÃO - a

DÚVIDA – em, sobre, acerca de

EMPENHO – de, em, por

FALTA – a, com, de, para com

INCLINAÇÃO – a, para, por

OBEDIÊNCIA - a

OJERIZA – a, por

RESPEITO – a, com, por, para com

ACOSTUMADO – a, com

AFÁVEL – com, para com

ALHEIO - a, de

ANSIOSO – de, para, por

APTO – a, para

COMPATÍVEL – com, a

CONSTITUÍDO – com, de, por

CURIOSO – de, por, a

DESCONTENTE – com

EQUIVALENTE – a

FAVORÁVEL – a

GENEROSO - com

IMBUÍDO - de

INCOMPATÍVEL - com

PREJUDICIAL - a

PROPÍCIO - a

PRÓXIMO - a, de

SENSÍVEL - a

SITUADO- a, em, entre

SUSPEITO - de


LONGE - de

PERTO - de




quinta-feira, 25 de março de 2021

COMO ELABORAR UMA RESENHA CRÍTICA

 O QUE É UMA RESENHA CRÍTICA?


  A resenha pode ser definida como um tipo de texto com a finalidade de analisar um objeto e escrever sobre ele. Esse objeto pode ser um artigo publicado online ou em revistas acadêmicas, livros, reportagens, filmes, entre outros.  


  O objetivo é trabalhar com a construção de descrições, análises, observação e desenvolvimento de um conteúdo que, no final, resultará em uma produção opinativa, mesmo que isso não fique explícito.  


  É importante destacar que na produção desse conteúdo é preciso fazer uma análise crítica sobre o documento solicitado, sem deixar de mencionar os aspectos positivos e negativos.


CARACTERÍSTICASDE UMA RESENHA CRÍTICA


1 O título é obrigatório e deve ser diferente do título oficial da obra resenhada;

2 Impessoalidade;

3 Imparcialidade: ser imparcial significa deixar as emoções de lado e escrever sem tomar partido, isto é, sem deixar que motivos pessoais contaminem a escrita.

4 Cientificidade: sistemática (apresentar um sistema de ideias ordenadas de maneira lógica) e verificável (afirmações que podem ser comprovadas através da observação);

5 Objetividade: na resenha deve constar aquilo que for estritamente essencial, respeitando a característica principal do gênero, que é a brevidade.



ESTRUTURA DE UMA RESENHA CRÍTICA



1. Introdução


  Identifique o título da obra e o nome do autor. Em seguida, faça uma breve apresentação sobre a história e contextualize o assunto.


  Com as informações mais importantes em mãos, você vai agora discorrer sobre elas. A introdução serve para fazer com que o leitor se localize, ou seja, é importante explicar todos os pontos relevantes da obra que está sendo resenhada.


  Aqui, tente não deixar o conteúdo muito complicado, apenas introduza o leitor e faça com que ele se familiarize com o texto lido por você.


2. Desenvolvimento


  É o momento para você discorrer, por exemplo, sobre ligações entre a obra resenhada e outros textos, teorias ou autores.


  O desenvolvimento de uma resenha é a análise crítica da obra. Geralmente esse trabalho é feito colocando outros autores para dialogar, por meio de menções bibliográficas concisas. Você não deve apenas emitir a sua opinião, mas sim apresentar um bom embasamento teórico. Argumentar não significa usar termos como “gostei” ou “não gostei”. 


  Na hora de escrever o desenvolvimento, dê preferência ao uso de verbos no presente do indicativo. Boas recomendações para esse tipo de trabalho são: mencionar, ressaltar, salientar, destacar, considerar, citar, anunciar, afirmar, esclarecer, explicar, expor e concordar.


3. Conclusão


  Após a apreciação do livro, filme ou artigo, preocupese em falar sobre as contribuições e importância da obra. O parágrafo final, que consiste na conclusão, deve ser elaborado com base nos argumentos expostos anteriormente. Verifique se o autor atingiu os objetivos propostos e dê sugestões sobre futuras pesquisas na área.


QUESTIONAMENTOS DE UMA RESENHA CRÍTICA


1 Qual o assunto abordado no livro? 

2 Como o assunto é abordado no livro?

3 Qual é a fundamentação do autor? 

4 Algo diferencia essa de outras obras? 

5 Qual o objetivo do autor com a obra? 

6 Qual o público que o autor deseja atingir?

7 Você conseguiu compreender o tema? 

8 A leitura foi feita de forma agradável? 

9 As ilustrações complementaram com o conteúdo do texto? 

10 Você acredita que o leitor achará/acha o livro útil? 

11 Qual sua percepção com a obra em comparação com as outras do mesmo autor?


sexta-feira, 19 de março de 2021

Coesão textual

 




“Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça.” (Isaías. Cap.41 versículo10)


Coesão textual

Conceituando: 

Palavras → Orações → Períodos → Parágrafos →Textos

☻ Se a união entre as partes do texto não for perfeita, o sentido lógico será prejudicado.

Logo:

Coesão é como articulamos as palavras, as frases, os parágrafos e o texto como um todo. Essa articulação se dá por meio de conectivos (conjunções, pronomes, artigos, advérbios) e do léxico (palavras do idioma).

Ele se dedicou muito, mas não passou (oposição).

   Observe que a conjunção "mas" deu sentido a esse período (duas orações).

Vendi um sofá que eu comprei há muito tempo (retomada).

   Observe que o pronome  "que" retoma a palavra sofá.

Ele não é um cara; é o cara ( definir ou indefinir muda o sentido).

   Observe que o artigo um/o dá um novo sentido ao período).

Tipos de coesão

Coesão referencial: 

   É quando um termo ou expressão substitui, refere-se a um outro pertencente ao universo textual. Esse tipo de coesão ocorre quando os elementos coesivos ou conectivos retomam ou anunciam palavras, frases e sequências que exprimem fatos ou conceitos.

Vitória chorou. Ela gosta de ser contrariada.

   Nesse caso, "Vitória" é o termo referente na oração.  A cada vez que for preciso retomar esta palavra, pode-se usar termos parecidos ou sinônimos como o pronome "ela" ou a "garota" ou ouras opções desde que haja sentido.

Vitaminas fazem bem à saúde. Mas não devemos tomá-las ao acaso.

O colégio é um dos melhores da cidade. Seus dirigentes se preocupam muito com a educação integral.

Não podíamos deixar de ir ao Louvre, está a obra-prima de Leonardo da Vinci: a “Mona Lisa”

   A coesão referencial é responsável por um método que confere e integra a relação entre as palavras e frases. Porém, nas Figuras de Sintaxe ou figuras de construção esses elementos predominam. Pode ocorrer coesão referencial em elipses, anáforas, catáforas, contiguidades e reiterações.

 Mecanismo de coesão referencial

   A coesão referencial pode ocorrer de diversas maneiras e os mecanismos mais utilizados são: a anáfora, a catáfora, a elipse e a reiteração.

ANÁFORA – ocorre quando um termo já dito (referente) é recuperado por meio de um item coesivo depois. 

                "Em tudo o que a natureza opera, ela nada o faz bruscamente”

                "Aquele que recebe um benefício não deve jamais esquecê-lo; aquele que o concede não deve jamais lembrá-lo"

 

CATÁFORA – é quando o termo pressuposto (referente) aparece após o termo coesivo. 

                “Há três coisas que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada, e a oportunidade perdida.” (Provérbio Chinês)

                “Ela está no horizonte (...) Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos, e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe jamais a alcançarei. Então para que serve a utopia? Para isso mesmo; para nos fazer caminhar...” (Anônimo)

 ELIPSE – se dá quando algum elemento do texto é retirado, evitando a repetição.

                É preciso viver, [é preciso] não apenas existir.” (Plutarco)

 REITERAÇÃO – é decorrente da repetição do mesmo item lexical e de outros procedimentos já mencionados acima como o emprego de sinônimos, hiperônimos etc.

                "Questionar não é duvidar, questionar é querer saber mais!"

                "Coragem é resistir ao medo. Coragem não é a ausência do medo."

 Mecanismo de coesão sequencial

 Coesão sequencial

   Ocorre por meio dos componentes do texto que estabelecem relações semânticas entre orações, períodos ou parágrafos à medida que o texto progride.

   De maneira geral, as flexões de tempo e de modo dos verbos e as conjunções são os mecanismos responsáveis pela coesão sequencial nos textos.

   Observe o exemplo a seguir:

Quero encontrar João e pedir um favor. Mas não sei se ele vai aceitar, ainda que seja muito meu amigo. Se ele aceitar, ganhará minha confiança para sempre. 

   O primeiro conectivo (E), apresenta uma ideia de adição à sequência apresentada. O conectivo MAS insere ideia de adversidade ao texto; o SE é uma conjunção integrante e sua continuidade insere um complemento para o verbo “saber”. O uso do AINDA QUE apresenta sentido de concessão ao período; o SE, logo na sequência, introduz ideia de condição. 

   Nesse pequeno trecho, podemos perceber a importância desses conectivos para a coesão sequencial do trecho. A ausência desses marcadores discursivos pode prejudicar a coerência e dificultar a compreensão adequada da ideia pretendida. 

   Assim, fica evidente que para a construção de textos dissertativos ou para questões de compreensão e interpretação, conhecer e dominar o uso desses elementos será um diferencial. 

Fique ligado!

   Para estabelecer essas relações, é necessário utilizar recursos linguísticos chamados elementos coesivos. Alguns dos elementos coesivos mais utilizados são os conectores. Mas, entretanto, porém, assim, portanto, então, dessa forma são exemplos de conectores

   Abaixo, você encontrará alguns termos responsáveis (conectores) pela coesão sequencial nos textos:

Adição/inclusão - Além disso; também; vale lembrar; pois; outrossim; agora; de modo geral; por iguais razões; inclusive; até; é certo que; é inegável; em outras palavras; além desse fator...

Oposição - Embora; não obstante; entretanto; mas; no entanto; porém; ao contrário; diferentemente; por outro lado...

Afirmação/igualdade - Felizmente; infelizmente; obviamente; na verdade; realmente; de igual forma; do mesmo modo que; nesse sentido; semelhantemente...

Exclusão - Somente; só; sequer; senão; exceto; excluindo; tão somente; apenas...

Enumeração - Em primeiro lugar; a princípio...

Explicação - Como se nota; com efeito; como vimos; portanto; pois; é óbvio que; isto é; por exemplo; a saber; de fato; aliás...

Conclusão - Em suma; por conseguinte; em última análise; por fim; concluindo; finalmente; por tudo isso; em síntese, posto isso; assim; consequentemente...

Continuação - Em seguida; depois; no geral; em termos gerais; por sua vez; outrossim...

Outros recursos coesivos

a) e, além de, além disso, ademais, ainda, mas também, bem como, também - servem para acrescentar ideias, argumentos.

b) embora, não obstante, apesar de, a despeito de, contudo - estabelecem relação de concessão, de resignação.

c) mas, porém, entretanto, no entanto, sob outro ponto de vista, de outro modo, por outro lado, em desacordo com - estabelecem oposição entre ideias

d) assim, dessa forma, portanto, desse modo, enfim, ora, em resumo, em síntese - servem para complementar e concluir ideias

e) assim como, da mesma forma que, como, tal que - estabelecem relação de comparação de semelhança.

f) de fato, realmente, é verdade que, evidentemente, obviamente, está claro que - são usadas para fazer constatações ou para se admitir um fato.

g) porque, devido a, em virtude de, tendo em vista isso, face a isto - servem para introduzir explicações.

h) sobretudo, principalmente, essencialmente - são usados para dar ênfase ou destaque a algum fato ou ideia

i) antes que, enquanto, depois que, quando, no momento em que - estabelecem relação de temporalidade.




sexta-feira, 12 de março de 2021

O resumo

 




    Resumir um texto é reproduzir com poucas palavras aquilo que o autor disse. Um resumo nada mais é do que um texto reduzido às suas ideias principais, sem a presença de comentários ou julgamentos.

  Para Platão e Fiorin (1995), resumir um texto significa condensá-lo à sua estrutura essencial sem perder de vista três elementos:

1. as partes essenciais do texto;

2. a progressão em que elas aparecem no texto;

3. a correlação entre cada uma das partes.

   Para se realizar um bom resumo, são necessárias algumas técnicas:

1. Ler todo o texto para descobrir o tema (assunto). →Leitura geral exploratória.

2. Reler uma ou mais vezes, sublinhando frases ou palavras importantes. Isto ajuda a identificar as ideias e a esclarecer possíveis dúvidas de vocabulário. → Leitura específica exploratória.

3. Distinguir e separar os exemplos ou detalhes, das idéias principais.

4. Destacar as frases-núcleo (partes indispensáveis à interpretação) de cada parágrafo.

5. Observar as palavras que fazem a ligação entre as diferentes idéias do texto, também hamadas de conectivos: "por causa de", "assim sendo", "além do mais", "pois", "em decorrência de", "por outro lado", "da mesma forma". Estas palavras trazem diferentes significados como: conclusão, finalidade, explicação, oposição de ideias etc.

6. Fazer o resumo de cada parágrafo, porque cada um deles encerra uma idéia diferente no texto. 

7. Ler os parágrafos resumidos e observar se há uma estrutura coerente entre eles, isto é, se todas as partes estão bem encadeadas e se formam um todo significativo que represente perfeitamente o tema do texto original. Observe que você estará produzindo um novo texto a partir do anterior, que será seu resumo.

8. Em um resumo, não se devem comentar as idéias do autor. Deve-se registrar apenas o que ele escreveu, sem usar expressões como "segundo o autor", "o autor afirmou que" etc.

9. O tamanho do resumo pode variar conforme o tipo de assunto abordado. É recomendável que nunca ultrapasse vinte por cento da extensão do texto original.

   Ainda, segundo van Dijk & Kintsch (apud FONTANA, 1995, p.89), há basicamente 3 técnicas que podem ser úteis ao escrevermos um resumo. São elas: o apagamento, a generalização e a construção (já estudados anteriormente). Além dessas três, ainda existe uma quarta dica que pode ajudar muito a resumir um texto. É a técnica de sublinhar.


        

Leia o texto a seguir.


              MPF quer tirar de circulação o dicionário ‘Houaiss’



           Publicação conteria expressões ‘pejorativas e preconceituosas’ contra ciganos e              não atendeu recomendações de alterar texto


  O Ministério Público Federal (MPF) entrou com ação absurda, sob todos os aspectos, na justiça federal em Uberlândia (MG): o órgão pretende tirar de circulação o dicionário Houaiss, um dos mais conceituados do mercado. Segundo o MPF, a publicação contém expressões “pejorativas preconceituosas”, pratica racismo contra ciganos e não atendeu a recomendações de alterar o texto, como fizeram outras duas editoras com seus dicionários.

  Trata-se de uma ação, no mínimo, desastrada. Há séculos dicionaristas respeitados de todo o mundo se esforçam em reunir nesses livros o maior número de acepções possível das palavras. Assim, o Houaiss explica que o termo cigano é “relativo ao ou próprio do povo cigano; zíngaro”, mas também define “aquele que faz barganha, que é apegado ao dinheiro; agiota, sovina” – esta acepção é, como bem destaca o próprio Houaiss, pejorativa. A razão de apresentar as duas (entre outras) versões é registrar o uso da palavra em um determinado momento histórico e explicar-lhe o significado. É para isso que servem os dicionários: eles não fazem apologia do preconceito, apenas o registram.

  A guiar-se pela proposta do MPF, os dicionários prestariam um duplo desserviço. Em primeiro lugar, deixariam de cumprir seu principal papel: registrar o uso da língua em um dado momento. O segundo desserviço é fruto do primeiro. Se os livros deixassem de registrar que, pejorativamente, o adjetivo judeu é empregado com sinônimo de “pessoa usuária, avarenta”, não ensinariam ao leitor que, em determinadas situações, isso (infelizmente) pode acontecer. Não se defende aqui, de maneira alguma, o emprego pejorativo do termo. Mas não é apagando o registro de um dicionário que se muda a realidade. Trata-se de mais um exemplo de ação desastrada em que a ideologia atropela a ciência, o serviço ao leitor e o bom-senso em troca de nada.

  O caso teve início em 2009, quando a Procuradoria da República recebeu representação de uma pessoa de origem cigana afirmando que havia preconceito por parte dos dicionários brasileiros em relação ao grupo. No Brasil, há aproximadamente 600.000 ciganos. Desde então, segundo o MPF, foram enviados “diversos ofícios e recomendações” às editoras para que mudassem o verbete. As editoras Globo e Melhoramentos, de acordo com o órgão, atenderam às recomendações.

  No entanto, o MPF afirma que não foi feita alteração no caso do Houaiss. A Editora Objetiva alegou que não poderia fazer a mudança porque a publicação é editada pelo Instituto Antônio Houaiss e que ela é apenas detentora dos direitos relativos à publicação. Diante disso, o procurador Cléber Eustáquio Neves entrou com ação solicitando que a justiça determine a imediata retirada de circulação, suspensão de tiragem, venda e distribuição do dicionário.

  “Ao ler em um dicionário, por sinal extremamente bem conceituado, que a nomenclatura cigano significa aquele que trapaceia, velhaco, entre outras coisas do gênero, ainda que se deixe expresso que é uma linguagem pejorativa, ou que se trata de acepções carregadas de preconceito ou xenofobia, fica claro o caráter discriminatório assumido pela publicação”, afirmou. “Trata-se de um dicionário. Ninguém duvida da veracidade do que ali encontra. Sequer questiona. Aquele sentido, extremamente pejorativo, será internalizado, levando à formação de uma postura interna pré-concebida em relação a uma etnia que deveria, por força de lei, ser respeitada”, acrescentou o procurador.

  Para Neves, o texto afronta a Constituição Federal e pode ser considerado racismo. Ele lembrou que o Supremo Tribunal federal já se pronunciou a respeito desse tipo de situação e ressaltou que “o direito à liberdade de expressão não pode albergar posturas preconceituosas e discriminatórias, sobretudo quando caracterizadas como infração penal”.

  Além da retirada da publicação do mercado, o MPF também pediu que a editora e o instituto sejam condenados a pagar 200.000 reais de indenização por danos morais coletivos. [...] 


Revista Veja -08/03/2018



    Veja, a seguir, como o texto lido poderia ser resumido:

A revista Veja chamou de “absurda” e “desastrada” uma ação movida pelo Ministério Público Federal (MPF) para tirar de circulação o dicionário Houaiss.

O MPF tomou tal iniciativa porque julgou que a publicação contém expressões pejorativas e preconceituosas e pratica racismo ao registrar como uma definição para o termo cigano “aquele que faz barganha, que é apegado a dinheiro; agiota, sovina”.

Segundo a revista, a função dos dicionários é registrar o uso das palavras na sociedade em determinado momento histórico e, portanto, os lexicógrafos prestariam um desserviço se omitissem qualquer uso de um termo da língua, preconceituoso ou não. O periódico afirma ainda que não se muda a realidade apagando um registro de dicionário.

A revista também informa que, segundo o MPF, no caso de dicionário de outras editoras, houve atendimento às recomendações de modificação nos verbetes, o que não ocorreu com o dicionário Houaiss, fato que levou à solicitação de sua retirada de circulação.

Para o procurador que entrou com a ação, um dicionário é uma referência importante e as pessoas tendem a atribuir veracidade às informações ali apresentadas. Dessa forma, o sentido pejorativo da palavra cigano pode influenciar a postura da sociedade em relação às pessoas dessa etnia.

Segundo o procurador, o texto do dicionário é uma afronta à Constituição Federal e, ainda que haja o direito à liberdade de expressão, este não pode prevalecer sobre posturas preconceituosas e discriminatórias.

Conforme a revista, além da retirada da publicação do mercado, o MPF pediu ainda que os responsáveis pelo dicionário Houaiss paguem uma indenização de 200.000 reais por damos morais coletivos. 






quinta-feira, 11 de março de 2021

A técnica do resumo

 







O resumo de fatos

    Para você resumir qualquer texto, é fundamental que, antes de fazê-lo, observe a diferença entre uma informação central e os detalhes referentes a ela. Para tanto, partiremos de um fato central, ao qual acrescentaremos informações adicionais.

      Observe o seguinte fato:

                  Os amigos de Maria fizeram uma grande festa.

    Nela existe uma referência a um fato específico: uma festa realizada pelos amigos de Maria.

    Veja agora como é possível aumentar essa frase com dados adicionais. Inicialmente forneceremos uma característica de Maria

            Os amigos de Maria, funcionária de uma importante firma, fizeram uma grande festa.

    Agora podemos acrescentar uma referência de lugar a essa frase:

           Os amigos de Maria, funcionária de uma importante firma, fizeram, na sala do gerente de vendas, ima grande festa.

    Somamos a todas essas informações uma referência de tempo:

         Os amigos de Maria, funcionária de uma importante firma, fizeram, na sala do gerente de vendas, uma grande festa durante a tarde de ontem.

    A respeito do fato acontecido (a festa), vamos agora explicar a causa:

         Os amigos de Maria, funcionária de uma importante firma, fizeram, na sala do gerente de vendas, uma grande festa durante a tarde de ontem, em comemoração a seu aniversário.

    Informamos agora a frequência com que esse fato ocorre:

        Como acontece todos os anos, os amigos de Maria, funcionária de uma importante firma, fizeram, na sala do gerente de vendas, uma grande festa durante a tarde de ontem, em comemoração a seu aniversário.

    Veja como você deve fazer para resumir esse parágrafo: basta que exclua as informações adicionais que podem ser dadas acerca do fato e deixa apenas os elementos essenciais, para transmitir a informação central. Entendemos por informações adicionais referências ao tempo, ao lugar, à frequência com que o fato ocorre , às características das pessoas envolvidas, à causa do fato, a indicações de instrumentos utilizados para sua realização, etc.

   Observe também que o resumo pode ter o tamanho que você desejar. Por exemplo, no caso do parágrafo acima, você pode resumi-lo de modo a dar somente as informações estritamente essenciais:

        Os amigos de Maria fizeram uma grande festa.

    Você também pode fazer o resumo de modo a incluir somente as referências de tempo e lugar:


         Os amigos de Maria fizeram uma grande festa , na sala do gerente de vendas, durante a tarde de ontem.

    É bom, porém, em seu resumo, eliminar detalhes de menor significação.





    

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Processos de formação das palavras

 

Uma língua não se conserva invariável: há palavras que caem de uso, outras que mudam de significado e outras ainda que são criadas. O vocabulário de uma comunidade está sujeito a um constante processo evolutivo, porque a língua evolui com o homem.

A formação de palavras em língua portuguesa obedece, principalmente, a dois processos: derivação e composição. Os demais processos são o hibridismo, a onomatopeia, a redução de palavras e os estrangeirismos.

A - Derivação

O processo de derivação consiste em formar uma palavra nova (derivada) a partir de outra existente (primitiva). Pode ocorrer das seguintes maneiras:

1. Derivação prefixal (ou por prefixação)

O processo de derivação prefixal consiste em formar uma nova palavra através do uso de prefixo. Observe que a significação do novo vocábulo está normalmente em estreita relação com aquela do radical que lhe serviu de base. Exemplos

a-     +   moral    = amoral
des-  +   leal       = desleal
in-     +  feliz      = infeliz
im-    +  pedir     = impedir
per-    + correr    = percorrer

2. Derivação sufixal (ou por sufixação)

A derivação sufixal ocorre quando acrescentamos um sufixo ao radical. Exemplos:

amor   +   -oso         = amoroso
feliz    `+  -mente    = felizmente
dent     +  - ista        = dentista
livr      +   -aria        =  livraria
suav     +  - izar       = suavizar 
leal       +  -dade      = lealdade

3. Derivação por prefixação e sufixação

Quando se agregam  um prefixo e um sufixo a um radical. Exemplos:

in     +   feliz    + mente      → infelizmente
des    + leal       + dade        → deslealdade

Observação: Note que a presença de apenas um desses afixos é suficiente para formar uma nova palavra, pois em nossa língua existem as palavras "desleal", "lealdade" e "infeliz", "felizmente".

4. Derivação parassintética

Na derivação parassintética ocorre simultaneamente a aglutinação de um prefixo e de um sufixo a um radical. A parassíntese é, em geral, um processo formador de verbos, pois sua incidência é bem menor na geração de vocábulos que pertencem a outras classes de palavras. Exemplos:


    + mud  (o)      +  ecer  = emudecer

des   + alm  (a)       +  ado   = desalmado

Observação: É importante notar que os afixos (prefixos e sufixos) foram aglutinados aos radicais a um só tempo, visto que não há no léxico português as palavras  emudo ou mudecer,  desalma ou almado.

5. Derivação regressiva 

A derivação regressiva consiste na supressão de elementos finais de uma palavra primitiva através da eliminação de sufixos ou terminações confundidas com sufixos. As derivações regressivas podem ser nominais ou verbais. Exemplos: boteco (de botequim), china (de chinês), espora (de esporão), gajo (de gajão), galé (de galera), japa (de japonês), malandro (de malandrim) etc;  ameaça (de ameaçar), grito (de gritar), compra (de comprar), busca (de buscar), choro (de chorar), perda (de perder), venda (de vender)

Os substantivos originários de verbos que passam pela derivação regressiva são chamados substantivos adverbiais ou pós-verbais.

Conforme Barreto (1980), os substantivos que indicam ação são palavras derivadas de verbos que passam pela derivação regressiva. Aqueles que não não indicam ação, mas apenas denotam algum objeto ou substância, são palavras primitivas. Assim, busca, compra e choro são formas derivadas dos verbos buscar, comprar e chorar, enquanto as formas telefone, azeite e escova, que não denotam ação, são formas primitivas que deram origem aos verbos telefonar, azeitar  e escovar.

6. Derivação imprópria

Derivação imprópria é o processo que consiste na mudança da classe de palavras sem que haja alteração no vocábulo primitivo. Exemplos:

Os maus pagarão pelos seus erros
  (adjetivo substantivado)

Todos buscam o saber das coisas.
            (verbo substantivado)

É um homem criança.
                      (substantivo adjetivado)
Ele falou claro.
               (adjetivo adverbializado)

Exemplos práticos:
Como meu pai está velho.
                               (adjetivo)

O velho acabou de sair.
    (substantivo)

Não lhe darei a resposta.
(advérbio)

O não é uma palavra difícil de dizer.
(substantivo)

B - Composição

Composição é o processo pelo qual a formação de palavras se dá pela união de dois ou mais radicais. Pode ocorrer:

1. Por justaposição

Quando não há alteração  fonética nos radicais ( a palavra composta  conserva  a mesma pronúncia que as palavras primitivas possuíam separadamente).

ponta   +     pé    →       pontapé

Outros exemplos:
girassol, malmequer, mandachuva, hidroelétrica, passatempo, bancarrota, madressilva, e etc.

2. Por aglutinação

Quando há alteração fonética nos radicais (os compostos por aglutinação são aquelas palavras nas quais o primeiro elemento perde acento e fonema ao unir-se intimamente ao segundo constituinte).

plano      +        alto             →       planalto
água        +       ardente        →       aguardente
petra       +       óleo             →        petróleo
vinho      +       agre             →       vinagre
em          +       boa  + hora  → embora

Além desses dois processos básicos (derivação e composição), são registrados outros tipos  de formação de palavras.

3. Abreviação ou redução

É  a forma reduzida que algumas palavras apresentam:

auto (automóvel)
cine (cinema)
quilo (quilograma)
extra (extraordinário)
moto (motocicleta)
pneu (pneumático)
foto (fotografia)tevê (televisão)
apê (apartamento)
pólio (poliomielite)
pornô (pornográfico)
metrô (metropolitano)

4. Onomatopeia

É a palavra que procura imitar certas vozes ou ruídos:
tique-taque
zunzum
pife-pafe
fonfom
reco-reco
plaft!
cocorocó
pingue-pongue
catapimba!

5. Hibridismo

É a formação de palavras de línguas diferentes.
sócio/logia     ( árabe + grego)
decí/metro      (latim +grego)
buro/cracia     (francês + grego)
mono/cultura  (grego + latim)
zinco/grafia    (alemão  + grego)
caipor/ismo     (tupi + grego)

6. Abreviatura / sigla

Abreviação (redução) e abreviatura não se confundem. Abreviatura é a redução na grafia de certas palavras, limitando-a à letra inicial ou às letras iniciais e, às vezes, à letra inicial com a final.

Exemplos: p ou pág. (página), AV (Avenida), Sr. (Senhor). Também não se confundam tais noções com a de sigla, caso especial de abreviatura, na qual se reduzem locuções  substantivas próprias as suas letras ou sílabas iniciais.
Exemplo: ONU, VARIG, SUDENE, DETRAN, SUDAM, PMDB.