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terça-feira, 2 de novembro de 2010

Os Lusíadas - Camões

As façanhas dos heróis portugueses, as suas aventuras no mar e nas terras longínquas, as suas conquistas de fortuna e poder, bem adequadas ao espírito renascentista, tudo isso esperava, pedia, exigia um poema épico. Essa aspiração a um canto que imortalizasse a expansão portuguesa e o heroísmo que a todos enchia de orgulho, muitos ambicionavam realizá-la há muito. O humanista Angelo Policiano ofereceu-se a D. João II para fazer, em latim ou grego, o poema dos feitos portugueses. O próprio Garcia de Resende, no prólogo do Cancioneiro geral, lamentava que os feitos portugueses não estivessem condignamente cantados. O mesmo sentia certamente Antônio Ferreira, poeta quinhentista que incitava seus contemporâneos para a produção de uma epopeia. Coube, porém, a Camões realizar a obra que celebraria tais feitos – Os lusíadas –, uma obra-prima construída sob as leis da épica clássica, a exemplo da Ilíada e da Odisséia, de Homero, e da Eneida, de Virgílio.

Epopeia é a interpretação poética de um mito, a coroação individual da obra coletiva pelo poder de expressão do poeta. Caracteriza-se por relatar acontecimentos heróicos históricos ocorridos há muito tempo, para que o lendário se forme, mas permitindo que o poeta lhes acrescente com liberdade o produto da sua fantasia. O protagonista da ação é um herói que, por sua força e coragem, aproxima-se dos deuses. Esse herói centraliza completamente as ações da narrativa, que existem quase que somente para destacar suas qualidades. O amor pode inserir-se na trama heroica, em forma de episódios isolados e pode complementar harmonicamente as façanhas de guerra. Caracteriza-se ainda pela presença do maravilhoso, ou seja, a intervenção de agentes não humanos no desenrolar da ação. Assim diz-se maravilhoso cristão, por exemplo, quando na ação interferem figuras do cristianismo, como os anjos, os santos; maravilhoso pagão, quando interferem figuras da mitologia greco-latina, como Zeus, Vênus etc.

Quando Camões se pôs a escrever Os Lusíadas (foi buscar a palavra lusíadas numa epístola escrita por André de Resende, em 1531), ele já sabia que o gênero épico era anacrônico, estava fora de moda. Quem se atreveria a escrever uma epopeia, conhecendo as de Homero e Virgílio? Claro, muitos escritores tentaram. E suas obras estão hoje adormecidas nas gavetas poeirentas, nos museus, quando não nos próprios manuscritos. Epopeia é coisa para gênio. E Camões foi um gênio, que viveu um momento genial da história do seu povo. Talvez o elemento mais atrativo de os Lusíadas esteja na fusão dos elementos mitológicos com elementos modernos. Camões dá à mitologia grega um ar sublime e gracioso muito adaptado ao gosto de sua época. Seu poema é percorrido por toda uma palpitação afrodisíaca. Boa parte de seus versos é verdadeiramente lapidar e virou provérbio na boca de gerações.

Diferentemente das outras epopeias, que narravam um fato histórico ocorrido muitos séculos antes, Os Lusíadas foram escritos menos de um século depois da viagem de Vasco da Gama. A proximidade histórica não permite a superestimação de personagens reais, humanas, cheias de limitações como qualquer um. Camões resolveu esse problema ampliando a dimensão heroica de suas personagens. O herói de seu poema não é somente Vasco da Gama, mas muitos: canta os heróis de toda conquista, e os de terra e os de mar, os que ficaram em Marrocos e os que ultrapassaram a Taprobana, enfim, todos aqueles que ´´por obras valerosas/ Se vão da lei da Morte libertando`` (I, 2).

Sendo assim, Os Lusíadas são um canto de louvor ao povo português, que é o verdadeiro protagonista da epopeia (o título do poema quer dizer ´´os portugueses`´). Um exemplo disso aparece logo nos primeiros versos, em que o poeta ordena que Ulisses (´´o sábio grego``), Enéias (´´o troiano``), Alexandre (´´Alexandre Magno``) e o imperador romano (´´Trajano´´) sejam esquecidos, e que somente seja lembrado e exaltado um outro herói, um protagonista coletivo: o peito ilustre lusitano.

Portugal, que atingira o máximo de glória durante o período das grandes navegações, começa a entrar em decadência e Camões tenta, com sua obra, reerguer o espírito português. Como se trata de uma obra-prima, virou orgulho nacional. Mas é também muito lida noutras terras, dado o seu interesse universal (é a grande celebração do espírito de aventura do Renascimento, o canto heroico do início do mundo moderno).

Para narrar a história de Portugal, Camões toma como motivo a viagem de Vasco da Gama às Índias (marco das grandes navegações portuguesas e da expansão renascentista do mundo ocidental, início dos contatos Ocidente-Oriente nos tempos modernos) e, por meio dela, introduz no poema seu melhor material épico: o afastamento da pátria, o enfrentamento do mar desconhecido, os perigos, os mitos, a fantasia criadora, o triunfo do cristianismo sobre o islamismo, a sagacidade de Gama, o episódio na ilha dos Amores e a visão deslumbradora da ´´máquina do mundo``.

Quando as embarcações de Vasco da Gama param em Melinde, a oeste da África, o comandante relata ao rei melindano a história de Portugal, desde o primeiro rei, D. Henrique, até D. Manuel I, que patrocinava a expedição. Portanto, Os Lusíadas contêm dois relatos: a viagem e, dentro duma pausa nessa viagem, a história portuguesa (Vasco da Gama faz também, para o rei de Melinde, a narrativa de sua viagem desde a partida, no porto do Restelo, contando os acidentes com os povos hostis de Mombaça e Moçambique). Aparecem também no poema, em forma de profecias (do Gigante Adamastor, da sereia), referências a acontecimentos da história portuguesa posterior a Vasco da Gama.

Literariamente, Os Lusíadas funcionaram como um repertório de consulta obrigatória para os poetas dos séculos posteriores. Assim, o poema camoniano foi uma espécie de ´´enciclopédia poética`` que influiu na poesia brasileira e portuguesa. Sob o ponto de vista civilizacional, Os Lusíadas representam o que foi Portugal durante os séculos XV e XVI: um dos maiores impérios já conhecidos, um império colonial, conquistado a ferro e fogo, um império que selou uma alma nacional até hoje saudosa de suas glórias passadas. Os portugueses foram realmente os donos do mar. Os Lusíadas estão impregnados de oceano, de terras distantes, de coragem e aventura.

O poema se compõe de 10 cantos. Canto é a maior unidade de composição da epopeia, estando para esse gênero como o capítulo está para o romance, e o ato para o teatro. Possui 1.102 estrofes, num total de 8.816 versos, todos decassílabos (heróicos em geral, às vezes sáficos). Cada estrofe, chamada oitava-rima ou oitava real, apresenta um esquema de rimas no qual o 1.º verso rima com o 3.º e o 5.º; o 2,º verso rima com o 4.º e o 6.º ( rimas alternadas ou entrelaçadas) e o 7.º verso rima com o 8.º 9rima emparelhada ou justaposta). Organiza-se em três partes: introdução (proposição, invocação e dedicatória), narração e epílogo.

Exemplo de decassílabo heróico:

As /ar /mas /eos /ba /rões /as /si /na /la /dos (6.ª e 10.ª sílabas)

Exemplo de decassílabo sáfico:

As /sim /com /ta /va /c´um /me /do /nho /cho /ro (4.ª, 8.ª e 10.ª sílabas)

Exemplo de oitava-rima:

No mais interno fundo das profundas A
cavernas altas, onde o mar se esconde,B
lá donde as ondas saem furibundas, A
quando às iras do vento o mar responde, B
Netuno mora, e moram as jocundas A
Nereidas, e outros Deuses do mar, onde B
as águas campo deixam às cidades, C
que habitam estas úmidas deidades. C

Canto primeiro

É apresentado o propósito do poema, na proposição, que vai da estrofe 1 à estrofe 3: os feitos heróicos portugueses, a expansão do Império e do Cristianismo.

Cantando espalharei por toda parte
se a tanto me ajudar o engenho e arte.

Vem, a seguir, a invocação (estrofes 4-5) às ninfas do Tejo. É o pedido de inspiração às musas. Na religião grega antiga, as musas são nove deusas, filhas de Zeus e Memória. Sua função está ligada ao canto, à poesia e às artes em geral. São elas que inspiram os poetas e artistas. A musa da poesia épica, a mais importante das nove irmãs, chama-se Calíope. Invocando a presença da deusa, os poetas esperam que seus cantos sejam inspirados e se imortalizem.

Camões, em mais de uma oportunidade, dirige-se a Calíope; mas a invocação inicial, que ocupa a quarta e quinta estrofes do poema, Camões dirige às Tágides. Trata-se de uma invenção do poeta. Tágides seriam ninfas do rio Tejo; com essa invenção, ele indica sua inspiração nacionalista:

E vós, Tágides minhas, (...)
Daí-me agora um som alto e sublimado,
um estilo grandíloquo e corrente.

O poema é dedicado a El-rei D. Sebastião (dedicatória ou oferecimento; estrofes 6 a 18), a quem chama de ´´bem nascida segurança/ da lusitana antiga liberdade``, para começar a narração (estrofes 19 do Canto I até 144 do Canto X) já em meio aos acontecimentos:

Já no largo Oceano navegavam,
as inquietas ondas apartando.

Eis que os deuses se reúnem no Olimpo, para discutir as pretensões ousadas dos navegantes. Baco, deus do vinho, é contra os portugueses. Mas Vênus, deusa da beleza, e Marte, deus da guerra, estão a favor deles:

Sustentava contra ele Vênus bela,
afeiçoada a gente lusitana.

Vencido, Baco se retira e vai tramar com os habitantes de Madagascar. Armam-se traições, mas os portugueses conseguem livrar-se delas com as intervenções fenomenais de Vênus.

Vale ressaltar que a narração envolve três assuntos, basicamente: a viagem de Vasco da Gama às Índias; a história de Portugal, desde suas origens; a mitologia, ou seja, a presença dos deuses clássicos, que tomam partido na ação dos portugueses, alguns favorencendo-os, outros procurando dificultar sua viagem.

Canto segundo

A armada chega a Monbaça, outro ligar perigoso, envenenado pelas astúcias de Baco. Vênus vai reclamar a Júpiter (o deus que domina o Olimpo):

Este povo que é meu, por quem derramo
as lágrimas, que em vão caídas vejo.

Júpiter anima a bela Vênus:

Formosa filha minha não temais
perigo algum nos vossos lusitanos.

A seguir, o deus dos deuses garante a Vênus que os portugueses ainda cometerão grandes façanhas. Finalmente, a chegada a Melinde.

Canto Terceiro

A pedido do rei de Melinde, Vasco da Gama inicia sua narração. Começa a descrever a Europa, e depois Portugal:

Esta é a ditosa pátria minha amada (...)
Esta foi Lusitânia, derivada
de Luso ou Lisa, que de Baco antigo
filhos foram, parece, ou companheiros.

Vasco da Gama começa a entrar na história de Portugal: história de Viriato, primeiro herói da nação; o casamento do primeiro rei de Portugal, D. Henrique, com D. Teresa (ou Tereja), filha do rei de Castela. A morte de D. Henrique e as lutas que seu filho, D. Afonso Henrique, teve de sustentar contra sua mãe; o cerco de Guimarães; Egas Monis, exemplo de fidelidade do vassalo ao rei; a batalha de Ourique; os reinados de D. Sancho I a D. Fernando; a batalha do Salado. A morte trágica de Inês de Castro ( ´´que depois de ser morta foi rainha``):

Assi como a bonina, que cortada
antes do tempo foi, cândida e bela, (...)
tal está morta a pálida donzela,
secas do rosto as rosas, e perdida
a branca e viva cor, co`a doce vida.

Canto quarto

Prossegue a narração da história de Portugal, feita por Vasco da Gama e ouvida pelo rei de Melinde (e todos os demais, portugueses e melindanos). D. Fernando não foi um grande rei (´´um fraco rei faz fraca a forte gente``). Com sua morte, fica no trono sua mulher, D. Leonor. Os portugueses desconfiam da conduta da rainha e o Mestre de Avis, apoiado por setores patrióticos, dá o golpe que o leva ao trono, inaugurando a dinastia de Avis. Passa então a chamar-se D. João I .Luta violentamente contra os castelhanos na célebre batalha de Aljubarrota. Ao lado dele aparece a impressionante figura de Nuno Álvares Pereira, um dos maiores heróis de Portugal. Mais tarde, D. Manue I tem seu sonho profético: vê os rios Indo e Ganges metamorfoseados em dois velhinhos, que o convocavam a descobrir tão vastos tesouros orientais:

Estando já deitado, no áureo leito (...)
Morfeu em várias formas lhe aparece.
Ó tu, a cujos reinos e coroa
grande parte do mundo está guardada (...)
Eu sou o ilustre Ganges, que na terra
celeste tenho o berço verdadeiro:
estrouto é o Indo.

Preparada, a expedição do Gama começa a sair da praia do Restelo, quando um velhinho faz uma das mais lindas peças oratórias da literatura portuguesa: investe contra os navegantes, criticando sua sanha da usura, em nome da fama e da glória (discurso do ´´Velho do Rastelo``).

Canto quinto

Descrição de aspectos e acidentes que vão passando ao longo da viagem (passagem do Equador, tromba marinha, cabo da Boa Esperança). Na passagem por este último, aparece o gigante Adamastor, símbolo de todas as ameaças e perigos da navegação aventureira:

Não acaba, quando uma figura
se nos mostra no ar, robusta e válida,
de desforme e grandíssima estatura,
o rosto carregado, a barba escoálida.

Canto sexto

O rei de Melinde faz com que os portugueses obtenham provisões para seguir a viagem. Na passagem pelo Índico, Veloso narra a seus amigos o episódio dos ´´Doze de Inglaterra``: doze cavaleiros portugueses duelam contra doze ingleses, vencendo-os dentro da própria Inglaterra, em favor de doze donzelas que haviam sido ofendidas pelos cavaleiros ingleses. Enquanto Veloso conta essa história, Baco não perde tempo: vai ao fundo do mar e pede ajuda ao deus Netuno contra os portugueses. Arma-se, por causa disso, mais uma emboscada: os ventos furibundos saem em perseguição das caravelas. Mas Vênus, com suas Nereidas, aplaca a fúria dos ventos (elemento erótico dentro do poema).

Canto sétimo

Os portugueses chegam às Índias. Encontram um mouro, Monçaide, que fala português e se torna protetor da comitiva, fazendo uma descrição da terra a que acabavam de chegar. Vasco da gama é levado ao Samorim, rei de Calicute e propõe-lhe amizade, levando-o a visitar os navios.

Canto oitavo

Começa agora a narração de Paulo da Gama, uma espécie de complementação da primeira, feita por seu irmão. Fala dos grandes heróis: Ulisses, Viriato, D. Henrique, D. Afonso Henrique, Egas Moniz, Geraldo sem-Pavor, Nunálvares. Enquanto isso, o deus Baco se disfarça em Maforma e provoca o povo contra os portugueses. O catual (governador) pretende destruir a armada.

Canto nono

Sabendo que uma frota muçulmana está chegando para pôr a pique as naus portuguesas, Vasco da Gama, prevenido por Monçaide, prefere partir:

Leva pimenta ardente que comprara;
a seca flor de Banda não ficou,
a noz, e o negro cravo, que faz clara
a nova ilha Maluco, co`a canela
com que Ceilão é rica, ilustre e bela.

Em pleno oceano, os portugueses terão uma grata surpresa feita por Vênus: a Ilha doa Amores.

Canto décimo

Durante o riquíssimo banquete oferecido aos lusitanos, uma sereia canta os feitos futuros de Portugal. A deusa Tétis leva o Gama ao alto de uma elevação e lhe mostra o Universo numa linda miniatura do mundo (concepção platônica): a ´´máquina do mundo``. Em viagem feliz, voltam a Portugal.

O epílogo (a parte final do poema, abrangendo as estrofes 145 a 156 do Canto X) inicia-se com uma das mais belas e angustiadas estrofes de todo o poema, na qual o poeta mostra-se triste, abatido, desiludido com a pátria (em virtude da decadência em que Portugal se encontrava), que não merece mais ser cantada:

Não mais, musa, não mais, que a lira tenho
destemperada e a voz enrouquecida,
e não do canto, mas de ver que venho
cantar a gente surda e endurecida.
O favor com que mais se acende o engenho,
não no dá a Pátria, não, que está metida
no gosto da cobiça e na rudeza
dua austera, apagada e vil tristeza.

Convém lembrar que em 1580, oito anos após a publicação do poema, as preocupações de Camões tornaram-se realidade: Portugal perde autonomia, passando para o domínio espanhol.




5 comentários:

  1. Olá! Achei muito bom o seu blog! Saudações

    Espero que corra bem!

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  2. The blog is very interesant !!
    i am spanish

    http://elotromilenio.blogspot.com/

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  3. Merci pour votre passage sur mon blog, le votre est très intêressant et riche sur le plan culturel.Bravo et merci
    Marie-Ange
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  4. Muy interesante tu blog Nelson!! Danielw
    Saludos desde Argentina!!

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