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domingo, 3 de outubro de 2010

Alma minha gentil, que te partiste - Camões


Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida descontente,
Repousa lá no Céu eternamente,
E viva eu cá na terra sempre triste.

Se lá no assento Etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente,
Que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer-te
Alguma cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,

Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.

Vocabulário
Gentil: nobre, perfeita em virtudes.
Etéreo: sublime, elevado.
Assento: lugar.
Memória: lembrança.
Idealismo é a tendência filosófica que valoriza as ideias e o espírito, em desfavor da consideração do mundo material. Embora reconheça a necessidade do mundo espaço-temporal, o idealismo crê que só nas ideias, vale dizer, só no trabalho abstrato do espírito é que se pode encontrar a verdade e a correção das falhas humanas. 

Assim, o idealismo que nos vem de Platão é uma filosofia que se inspira na separação rigorosa entre o que é do sensível (coisas) e o que é do inteligível (ideias), separação que foi, aliás, parcialmente reaproveitada pela Igreja, na crença, que esta sempre sustentou, de que o homem é um ser que tem um corpo sensível submetido a uma alma incorporal e eterna.

As obras filosóficas de Platão e Aristóteles, como sabemos, foram muito estudadas durante a Idade Média. Na passagem para o Renascimento, a influência de Platão manteve-se bastante forte e alguns filósofos da época, como Leon Hebreu, chegaram a atualizar algumas de suas teorias. A definição platônica de amor, que nos interessa mais de perto, foi objeto de uma dessas atualizações, de modo a ser conciliada com uma visão cristã de mundo.

Os poemas de Camões não dialogam somente com a sensibilidade do leitor, mas também com a sua inteligência. Não é possível separar emoção e razão nesse lírico. Muitos dos poemas são reflexões sobre o amor, questionamentos do amor e da existência, são tentativas de definição poética – da universalidade da vivência amorosa, assim como de suas significações na condição humana. Há um contínuo embate, uma tensão entre os chamados do amor físico, das cores do desejo, das iluminações e desesperos das paixões, de um lado, e, de outro, os chamados do amor platônico, de serena identificação do amante com a pessoa amada, do vislumbre das esferas transcendentes, de retorno, através do amor, à unidade divina do ser no mundos das ideias.

As concepções platônicas, muito apreciadas no Humanismo e no Renascimento, vão atuar decisivamente na concepção de mulher ideal, em voga na poesia lírica da época (principalmente nos sonetos), onde a mulher amada era representada como virtuosa, casta, elevada, já que o amor que ela inspirava nos renascentistas era sobretudo´´platônico``(idealizante). Assim é que Petrarca fala de Laura, sua´´ musa inspiradora``, e é assim, em parte, que Camões lembra algumas de suas amadas. 

Em Camões, sobretudo, tanto a distância como a idealização da amada se materializam poeticamente nos tons da saudade. Uma saudade que, entendida platonicamente, é o desejo de ascender à formosura suprema, só possível em ´´outras vidas``ou no ´´mundo das ideias``.

Os biógrafos de Camões associam o poema à morte de Dinamene, chinesa com quem Camões teria vivido em Macau. Em um naufrágio, Camões teria conseguido se salvar (e com ele ´´Os Lusíadas, quase concluído). Sua amada, porém, não teve a mesma sorte.

Comentários sobre o poema

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Este soneto, em versos decassílabos heróicos (acentuação na 6ª e na 10ª sílabas) com esquema rimático ABBA CDC DCD (as rimas ´´A`` e ´´B`` são ricas e as rimas ´C`` e ´´D`` são pobres), é praticamente uma transcriação de um soneto de Petrarca (Questa anima gentil Che si disparte), com a diferença de que as notas religiosas finais não comparecem no soneto do poeta italiano.

O platonismo, neste poema, consiste em ver a mulher amada como o ser que passou a pertencer, com a morte (observe o eufemismo ´´Repousa lá no Céu etermamente´´), a um universo mais puro e mais verdadeiro (já testemunhada a partir do primeiro verso, com o vocativo: ´´Alma minha gentil``).

Sendo assim, na 1.ª estrofe, o eu lírico dirige-se a sua amada, que morreu, e lamenta sua vida desde então ´´ sempre triste``. Existe uma forte oposição no interior da estrofe( antíteses), de caráter espacial, marcada pelos advérbios ´´`` e ´´``: enquanto a mulher amada repousa na beatitude eterna do ´´Céu`` ( cristianismo com influências platônicas), o poeta vive entre os sofrimentos da ´´terra``. O uso dos advérbios citados reforça a distância entre o sujeito e sua interlocutora.

Não obstante essas marcas de idealização e religiosidade, na 2.ª estrofe, o eu lírico contempla a bem-amada transubstanciada em puro espírito, ´´lá no assento etéreo``, por via do muito amar. Também faz alusão à vida terrena, na qual as qualidades físicas do amor são definidas. A nota sensual reponta em ´´daquele amor ardente``, abrandada pela sequência ´´que já nos olhos meus tão puro viste``.

Na 3.ª estrofe, o eu lírico ressalta o sofrimento causado pelo afastamento da sua amada (´´Da mágoa, sem remédio, de perder-te``). Dirige-se novamente a mesma, na esperança de que a dor sentida possa, se possível, ser percebida, facilitando assim a ida dele ao seu encontro. Observe a visão platônica do amor. De acordo com esta visão, a morte da amada não impede, mas adia a consumação do amor que continua; sentimento que na verdade não pertence ao mundo das aparências sensíveis, da matéria, mas à eternidade

Na 4.ª e última estrofe, o eu lírico enfatiza o desejo de morte, suplicando para que a amada interceda aos céus pela brevidade da experiência terrena do amante. O apelo de juntar-se à amada na morte fica evidente nos versos: ´´Roga a Deus, que teus anos encurtou, /Que tão cedo de cá me leve a ver-te``. Enfim, só resta ao amante esperar que sua morte chegue cedo, para poder reunir-se à amada.

Esse embate, entre o erótico e o platônico, entre o amor-desejo e o amor-ideia, entre o sensual e o espiritual, é fonte fecunda de antíteses que atravessam a lírica de Camões, juntamente com a tentativa sempre recomeçada de atingir uma síntese reunificadora dos opostos. Essa poesia não é apenas a expressão mais elevada da tradição medieval e da novidade classicista, mas também é uma lírica prenunciadora do Barroco, especialmente do Conceptismo.

4 comentários:

  1. Nelson, o seu blog é mt bom!! Estou no primeiro ano do ensimo médio e qualquer texto que preciso procurar, não penso duas vezes, venho direto aqui!! Nelson, se você tivesse um tempinho, bem que você podia fazer a interpretação e um comentário de alguns dos texto de vão cair no PISM módulo I... o que acha?
    Beijo! Obrigada

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  2. MUIIIIIIIITOOOOOOOOO LEGAL.

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  3. show! seu blog é incrivel, tenho um blog de poesia tbm ;)

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  4. Caro Nelson. Como seu colega, sinto-me orgulhoso com sua existência. Convido-o ao meu blog "escritortonyfonseca.com" e espero seus comentários, mesmo arriscando a crítica por reconhecer em você a enorme capacidade dos mestres. Estreando uma coluna de literatura na revista de minha Academia, vim me atualizar em L de Camões e ( grata surpresa!), encontrei você, capaz de ensinar Camões ao próprio Camões. Nunca mais abandonarei você e, mesmo sendo mais velho que você, jamais negarei minha continência: Mestre, Mestre!
    Grato pela aula sobre Camões e, visite-me. Será um prazer!

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