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sábado, 8 de maio de 2010

Soneto XCVIII - Claúdio Manuel da Costa



 Destes penhascos fez a natureza
O berço em que nasci: oh! quem cuidara
Que entre penhas tão duras se criara
Uma alma terna, um peito sem dureza!

Amor, que vence os tigres, por empresa
Tomou logo render-me; ele declara
Contra meu coração guerra tão rara
Que não me foi bastante a fortaleza.

Por mais que eu mesmo conhecesse o dano
A que dava ocasião minha brandura,
Nunca pude fugir ao cego engano;

Vós que ostentais a condição mais dura,
Temei, penhas, temei: que Amor tirano
Onde há mais resistência mais se apura.



Vocabulário
Penhasco: pedra elevada.
Criara: criasse.
Cuidara: imaginaria.
Ocasião: motivo.
Penhas: rochas.
Terna: branda, meiga.
Empresa: empreendimento.
Ostentar: exibir, mostrar.
Mais se apura: torna-se mais concentrado.

O Arcadismo foi um estilo literário que perdurou pela maioria do século XVIII, tendo como principal característica o bucolismo, elevando a vida despreocupada e idealizada nos campos. Muitos dos participantes da Conjuração Mineira foram poetas árcades.

Cláudio Manuel da Costa, embora tenha toda sua formação no período barroco, escolhe o Arcadismo como forma de manifestação artística, tendo, inclusive, iniciado o movimento no Brasil, com a publicação de Obras Poéticas, em 1768. Apesar da escolha pela estética idealizadora da natureza, alguns de seus poemas refletem, ainda, certos aspectos barrocos (inversões, antíteses e conflitos interiores). Em suas poesias, os aspectos ligados à natureza fogem ao padrão europeu. 

São inúmeras as referências ao “pátrio rio” (Ribeirão do Carmo) e a sua cidade (Mariana), com seus “penhascos”, “rochas íngremes” etc. Usou o pseudônimo de Glauceste (Alceste) Satúrnio. Foi o primeiro poeta do neoclassicismo brasileiro, de sólida cultura humanística.

Cláudio é considerado um dos maiores sonetistas da língua portuguesa, sendo avaliado por Manuel Bandeira, dentre os poetas do grupo mineiro, como “o mais correto na metrificação e na linguagem”. 

Os sonetos, em número de cem, podem ser lidos e compreendidos tanto de maneira separada quanto “como partes constituintes de um poema maior”.

Comentários sobre o poema

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O soneto XCVIII indica a tradição clássica a que pertence o poema, pois os versos são decassílabos e o esquema de rimas é regular (rimas opostas nos dois quartetos: ABBA ABBA e rimas alternadas nos dois tercetos: CDC DCD). Nele podemos perceber uma característica muito própria de Glauceste: um forte tom intimista. . A poesia escrita em primeira pessoa está centrada na constatação da força, da tirania do Amor; o eu lírico confessa-se um prisioneiro, um refém do Amor.

Na primeira estrofe, o eu lírico fala de sua terra natal (observe que as pedras – elemento típico da paisagem mineira – representam o berço do poeta.) e sobre a sua própria maneira de ser(traços da sua personalidade). Apresenta duas ideias opostas (antítese): afirma que nasceu em um lugar de pedras duras, mas que tem a alma terna. Os elementos que identificam o cenário dizem respeito ao campo, à natureza e não à cidade (penhascos, penhas duras). É o princípio do "fugere urbem" (expressão latina que significa fuga da cidade) adotado pelos árcades. A linguagem simples e clara também é uma característica do Arcadismo.

Na segunda estrofe, o poeta focaliza o´´ Amor``(o enfoque termina no fim do soneto), que aparece descrito no poema, como um ser muito forte com vida própria (um guerreiro capaz de vencer os tigres e quebrar a resistência das pedras) que produz sofrimento. Declara que o ´´Amor`` obstinou-se em vencê-lo. Observe que a palavra está grafada com inicial maiúscula porque, na mitologia, os sentimentos são personificados. Logo, esse recurso é uma característica do Neoclassicismo: à imitação dos antigos e, conseqüentemente, à presença da mitologia.

Na terceira estrofe, mesmo conhecendo os danos do amor, o poeta não consegue evitá-los (apresenta-se como derrotado). A expressão ´´cego engano`` é utilizada metaforicamente para representar o Amor (o Cupido, na mitologia, é cego).
Na última estrofe o eu lírico dirige-se às pedras, que, por serem tão duras, aguçariam a firmeza do amor em vencê-las, mas deixa uma advertência: contra o Amor não há resistência( uma pequena reflexão para aqueles que se julgam ´´de pedra`` e, portanto, resistentes à tirania do Amor).



9 comentários:

  1. Adoro poesia , poemas, sonetos.
    Sou apaixonada pela literatura. Me encantei com seu blog. Estou seguindo.

    http://des-controlados.blogspot.com/

    Tem twitter ? Siga!
    http://twitter.com/des_controlados

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  2. A imagem e, principalmente, os comentários deixam a leitura da poesia muito menos complexa p/ mim, um leitor leigo...

    :)

    Estou revivendo minhas aulas de literatura...!!!

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  3. Bom encontrar coisas de qualidade na internet.
    Adoro sonetos. =D

    Parabéns pelo blog.

    Visite-me: http://daretoinspireme.blogspot.com/

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  4. muito pertinente e você acaba de conquistar um visitante, pois explicar poesia em sua estrutura é fundamental.

    conhecer para gostar.

    um grande abraço

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  5. Aprecio esse tipo de literatura poética, o Arcadismo, embora não o conheça tão bem assim, tanto que não conheço muito as diferenças entre Arcadismo, Romantismo, Barroco... só superficialmente... parece que o seu Blog está caindo no gosto de muitos Blogueiros... só te dou duas dicas: diversifique sempre o conteúdo de seu Blog e evite posts muito longos ou didáticos demais... abraço!

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  6. AMEI A ANÁLISE DO POEMA,POIS ME SERVIRÁ COMO EMBASAMENTO DA PRÓXIMA PROVA, SOCOOORRO! CAROL, ESTUDANTE DO CURSO DE LETRAS UFPB

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  7. Sempre utilizo seu blog, para tirar minhas dúvidas, pois percebo o quanto sabes. Adoro seus comentários. Parabéns.

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  8. Gostei muiiito, Parabéns pelo blog (Y)

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  9. Valeu por sua análise,pois me ajudou bastante no meu trabalho.

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