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domingo, 7 de março de 2010

Pe. Antônio Vieira

Nasceu em Lisboa, a 6 de fevereiro de 1608. Aos 6 anos de idade já está no Brasil; Cristóvão Vieira Ravasco, seu pai, fora nomeado para um cargo da Relação da Bahia. Estudou no Colégio dos Jesuítas e, embora sofrendo oposição da família, passou para o seminário, vindo a ordenar-se em 1634, após brilhantes estudos. Foi redator da Carta Ânua. Lecionou humanidades no Colégio de Olinda.


Apesar de conhecer a tradição antiga de Sêneca e Quintiliano, Vieira desenvolve a oratória através da arte de pregar e a manifesta, pela primeira vez, em São Luís do Maranhão, num sermão onde apresenta conceitos sobre a pregação, atestando um genial poder de expressão. Já nesta época, seus sermões circulavam em Portugal, Espanha e Itália, e, em muitos deles, apregoou detestar o rebuscamento formal. Valorizava o jogo claro das idéias e os engenhosos raciocínios. Tornou-se, assim, primeiro grande exemplo de eloqüência, filiando-se à corrente conceptista. Em 1640 se notabilizou pelo Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda, pregado na Bahia.


Os sermões seguem os moldes forjados pela Idade Média e apresentam a seguinte estrutura:

a) Tema: extraído do texto bíblico e em latim;

b) Intróito: apresentação do plano do sermão, com as idéias que serão desenvolvidas;

c) Invocação: pedido de inspiração;

d) Argumentação: momento de exposição de exemplos;

e) Peroração: conclusão e persuasão.


Em 1641, em Portugal, aderiu a D. João IV, recomendando ao rei uma política fundada no poder econômico da burguesia mercantil, o que significava certa aceitação aos cristão-novos e uma conseqüente oposição ao Santo Ofício. Por estar ao lado de D. João IV, Vieira sofreu oposição da Companhia de Jesus.


Exerce missões diplomáticas em Paris, Haia e Roma, sem êxito. Contemporâneo de Descartes, não seguiu o racionalismo em suas atividades, mantendo-se fiel aos ditames tridentinos da Contra-Reforma.


Em 1652 está em São Luís do Maranhão, ocupa-se da catequese dos índios, denuncia a escravização, do púlpito e em cartas ao rei Afonso VI. Aconteceu em São Luís do Maranhão o Sermão do Santo Antônio aos peixes, no qual ridiculariza, por meio de alegorias e comparações, os vícios dos colonos.


Um dos mais importantes sermões de Vieira. O Sermão da Sexagésima foi proferido na Capela Real em 1655.Nesse sermão, Vieira define uma estética de simplicidade na arte da oratória; para ele, o pregador deve optar por uma única matéria, defini-la, reparti-la, confirmá-la com a Sagrada Escritura e com razão``, deve utilizar sempre exemplos e rejeitar argumentos contrários, de modo a concluir e persuadir.


Novamente em Lisboa em 1661. Já visitado pelo Tribunal Inquisitorial, desde que pregara tolerância religiosa, sua situação complicou-se com a divulgação que fez das idéias sobre o Quinto Império do Mundo. É encarcerado e posteriormente confinado a uma casa de sua ordem, impedido de pregar.


Em 1669 está em Roma, onde a rainha Cristina, exilada da Suécia, o tem como confessor. Aí chegou a pregar em italiano. Advogou junto ao papa Clemente X a causa dos judeus portugueses´´ injusta, tirânica e barbaramente perseguidos pela Inquisição.``


Em 1675 o vemos ainda em Lisboa, mas afastado dos assuntos públicos, por ordem de D.Pedro II, regente. Retira-se definitivamente para a Bahia, em 1681, dedicando-se à edição dos Sermões, iniciada em 1679. Morre em 18 de junho de 1697.


O estilo de Vieira é predominantemente conceptista, embora apresente traços gongóricos em sua obra.


Obras: Sermões — (15 volumes, 13 publicados entre 1679 e 1690, e 2 entre 1710 e 1718)

Cartas — (3 tomos entre 1735 e 1746)

História do futuro — (1718)

Esperanças de Portugal — (1856-1857)

Clavis Prophetarum — (obras inéditas)


Versam sobre variada temática, além de assuntos tipicamente religiosos, abordam a prisão dos índios, problemas da Inquisição, a Independência Portuguesa e a Restauração.


Sermão da Sexagésima


Fazer pouco fruto a palavra de Deus no Mundo, pode proceder de um de três princípios: ou da parte do pregador, ou da parte do ouvinte, ou da parte de Deus. Para uma alma se converter por meio de um sermão, há de haver três concursos: há de concorrer o pregador com a doutrina, persuadindo; há de concorrer o ouvinte com o entendimento, percebendo; há de concorrer Deus com a graça, alumiando. Para um homem se ver a si mesmo, são necessárias três coisas: olhos, espelho e luz. Se tem espelho e é cego, não se pode ver por falta de olhos; se tem espelho e olhos, e é de noite, não se pode ver por falta de luz. Logo, há mister luz, há mister espelho e há mister olhos. Que coisa é a conversão de uma alma, senão entrar um homem dentro em si e ver-se a si mesmo? Para esta vista são necessários olhos, é necessária luz e é necessário espelho. O pregador concorre com o espelho, que é a doutrina; Deus concorre com a luz, que é a graça; o homem concorre com os olhos, que é o conhecimento. Ora suposto que a conversão das almas por meio da pregação depende destes três concursos: de Deus, do pregador e do ouvinte, por qual deles devemos entender que falta? Por parte do ouvinte, ou por parte do pregador, ou por parte de Deus?


Primeiramente, por parte de Deus, não falta nem pode faltar. Esta proposição é de fé, definida no Concílio Tridentino, e no nosso Evangelho a temos. Do trigo que deitou à terra o semeador, uma parte se logrou e três se perderam. E porque se perderam estas três? -- A primeira perdeu-se, porque a afogaram os espinhos; a segunda, porque a secaram as pedras; a terceira, porque a pisaram os homens e a comeram as aves. Isto é o que diz Cristo; mas notai o que não diz. Não diz que parte alguma daquele trigo se perdesse por causa do sol ou da chuva. A causa por que ordinariamente se perdem as sementeiras, é pela desigualdade e pela intemperança dos tempos, ou porque falta ou sobeja a chuva, ou porque falta ou sobeja o sol. Pois porque não introduz Cristo na parábola do Evangelho algum trigo que se perdesse por causa do sol ou da chuva? -- Porque o sol e a chuva são as afluências da parte do Céu, e deixar de frutificar a semente da palavra de Deus, nunca é por falta: do Céu, sempre é por culpa nossa. Deixará de frutificar a sementeira, ou pelo embaraço dos espinhos, ou pela dureza das pedras, ou pelos descaminhos dos caminhos; mas por falta das influências do Céu, isso nunca é nem pode ser. Sempre Deus está pronto da sua parte, com o sol para aquentar e com a chuva para regar; com o sol para alumiar e com a chuva para amolecer, se os nossos corações quiserem: Qui solem suum oriri facit super bonos et malos, et pluit super justos et injustos. Se Deus dá o seu sol e a sua chuva aos bons e aos maus; aos maus que se quiserem fazer bons, como a negará? Este ponto é tão claro que não há para que nos determos em mais prova. Quid debui facere vineae meae, et non feci? -- disse o mesmo Deus por Isaías.


Qui solem suum oriri facit super bonos et malos, et pluit super justos et injustos (que faz nascer o sol sobre os bons e os maus e chover sobre os justos e os injustos).

Quid debui facere vineae meae, et non feci (que tive eu de fazer a minha vinha e não fiz).


Pregado na Capela Real de Lisboa, em 1655, também conhecido como ´´A palavra de Deus``. Polêmico, esse sermão aborda a arte de pregar. Ao analisar por que ´´não frutificava a palavra de Deus na terra``, Vieira visava aos seus adversários católicos – os gongóricos dominicanos. Escrevendo no estilo da época, Vieira é considerado nosso maior orador sacro. Qualquer um de seus sermões liga fé e realidade. Em nenhum momento ele se esquece de sua missão de sacerdote: ataca veementemente o erro e faz tudo o que ao pregador é permitido para ensinar, agradar e converter o ouvinte. O sermão é um todo de 10 pequenos capítulos. O comentário consiste em apenas um trecho (fragmento).


Vieira apresenta na forma de pergunta o tema a ser desenvolvido: Por que a palavra de Deus faz pouco fruto? Notoriamente em sermões, o próprio orador faz várias perguntas e ele mesmo responde, para facilitar o meio de conduzir o raciocínio de seu ouvinte. Apesar de ter pregado para um público específico, Vieira soube exercitar com sucesso uma das técnicas da argumentação, que consiste em direcionar a pregação para um auditório universal, a fim de transmitir a mensagem religiosa. Para isso, fez com que os argumentos fossem construídos a partir de analogias, de modo a gerarem uma eloqüência sagrada que tanto persuadiu e convenceu sua platéia. Três vertentes são apontadas para que a palavra sagrada não tenha alcançado o seu real objetivo e, conseqüentemente, não tenha conseguido um número considerável de adeptos: falha do pregador, ou do ouvinte, ou de Deus.


Através de um raciocínio complexo e lógico, fazendo uso freqüente de metáforas, comparações e alegorias, ele constrói um discurso fundamentado na palavra divina. Para converter uma alma, o pregador deve persuadir com a doutrina cristã; o ouvinte absorve a mensagem com claro entendimento; e Deus, acima de qualquer coisa, ilumina o entendimento do ouvinte...


Determinadas palavras ganham um conjunto, favorecendo ao orador: os olhos correspondem ao ouvinte, que entra com o conhecimento; o espelho corresponde ao pregador, que entra com a doutrina; e a luz corresponde a Deus, que entra com a graça.


No intuito de inocentar Deus, pelo pouco fruto da palavra, Vieira enfatiza a fé: ´´Esta preposição de fé, defendida no Conselho de Tridentino``(origem do movimento da Contra-Reforma) e deixa claro uma de suas deduções: ´´Nunca e por falta do Céu, é sempre culpa nossa.``


Por meio argumentativo, a culpa passa a ser ou do pregador ou dos ouvintes. Valendo-se da alegoria do trigo e da Parábola do semeador (Evangelho segundo São Lucas), o autor afirma que, se a semente não vinga, quando semeada, tal fato não advém da qualidade da semente, mas dos espinhos e das pedras do solo. A semente equivale ao evangelho( palavra de Deus); os espinhos correspondem àqueles que são maus ouvintes, que só se entregam por sutilezas e galanterias; as pedras refletem àqueles que estão endurecidos.


Uma metalinguagem é formada porque o autor questiona o poder da arte de pregar por sermões, ao mesmo tempo em que está escrevendo ou proferindo um sermão. O pregador se apóia nas Sagradas Escrituras para ratificar suas palavras através da citação de Isaías.




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