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quinta-feira, 29 de julho de 2010

Canção do Exílio - Gonçalves Dias


Kennst du das Land, wo die Citronen blühn,

Im dunkeln Laub die Gold-Orangen glühn,

Kennst du es wohl?

Dahin, Dahin!

Möcht ich... ziehn!


Goethe (trecho da balada ´´ Mignon``)


´´Conheces o país onde florescem as laranjeiras? Ardem na escura fronde os frutos de ouro... Conhecê-lo? Para lá, para lá quisera eu ir!``



Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá;

As aves, que aqui gorjeiam,

Não gorjeiam como lá.


Nosso céu tem mais estrelas,

Nossas várzeas têm mais flores,

Nossos bosques têm mais vida,

Nossa vida mais amores.


Em cismar, sozinho, à noite,

Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá.


Minha terra tem primores,

Que tais não encontro eu cá;

Em cismar - sozinho, à noite,

Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá.


Não permita Deus que eu morra,

Sem que volte para lá;

Sem que desfrute os primores

Que não encontro por cá;

Sem qu'inda aviste as palmeiras,

Onde canta o Sabiá.


Vocabulário

Cismar: pensar, refletir.

Primores: belezas, encantos.

Gorjeiam: cantam.

Várzeas: campinas baixas.

Desfrute: gozo.


Este é um poema fundamental para que se perceba o espírito saudosista e telúrico da primeira geração romântica: a saudade da Pátria e a exaltação da natureza brasileira. De toda a produção poética deste período, e talvez mesmo de toda produção poética brasileira, será difícil encontrar versos tão conhecidos quanto os da ´´Canção do Exílio``.


Segundo Manuel Bandeira, a Canção do Exílio foi o primeiro grande momento de inspiração do poeta Gonçalves Dias. ´´ Ainda que não tivesse escrito mais nada, ficaria, por ela, o seu nome gravado para sempre no coração e na memória da sua gente. `` De fato, é um dos poemas mais conhecidos popularmente no Brasil.


Neste poema de Gonçalves Dias há uma exaltação da natureza, o que pode remeter ao bucolismo árcade (amplamente comentado aqui, no blog). Porém, enquanto no Arcadismo a natureza se configura com um quadro idealizado e passivo no qual se desenrolam as ações dos pastores fictícios, no Romantismo ela interage com o ´´eu lírico``; é um espaço de redenção, em que o poeta se purifica dos males contraídos da civilização.


Os críticos literários atribuem a extraordinária beleza da canção à simplicidade dos recursos expressivos utilizados. Escrito em versos de sete sílabas (redondilha maior ou heptassílabo), dão ao poema um ritmo bem marcado e de gosto popular, pois encontramos: paralelismo (repetição de versos de mesma estrutura sintática), anáfora (repetição de palavra no início de cada versos) e refrão. Possui alternância de versos rimados (pares) com versos brancos (ímpares). Esse tipo de composição é bem comum nas cantigas de roda, uma vez que é muito fácil de ser cantado.


O título do poema não se refere a uma expulsão ou desterro, mas sim a um sentimento: o poeta está fora do Brasil e escreve uma canção para falar da saudade que sente da Pátria. O eu lírico assume o papel de exilado (ilustra uma característica básica do Romantismo: nacionalismo). Logo no início, define-se o objeto do discurso, estabelecendo-se a parcela da realidade exterior de que trata o poema: ´´Minha terra``, expressão que abre o primeiro verso, como assunto do poema.


Vai uma dica muito boa para você, amiguinho, aqui do blog: é fundamental, para compreensão do poema, localizar geograficamente os advérbios , , aqui, ao longo do poema – que por sinal possui total ausência de adjetivos qualificativos.


Na primeira estrofe, a distância e a saudade provocam a distorção da imagem da terra natal, cuja natureza é minuciosamente comparada com a da terra do exílio (uma longínqua utopia). Elementos como´´palmeiras``(flora) e ´´Sabiá`` (fauna) tornam-se autênticos símbolos de brasilidade. É interessante perceber que ´´palmeira`` é uma árvore que, por si só, já traz implícita as raízes da nacionalidade, ou seja, o poeta fez a mesma escolha que os indígenas haviam feito: antes de ser batizada pelos portugueses, nossa terra era chamada de Pindorama, palavra que, em tupi-guarani, significa ´´terra das palmeiras``.


O ´´Sabiá``, personificado pela letra inicial maiúscula, aparece quatro vezes no poema e, ao rimar com os monossílabos e (advérbios insistentemente repetidos, que representam a terra do exílio e, respectivamente, a terra natal), cria uma sonoridade muito brasileira, nunca antes vista em nossa poesia colonial ou na poesia portuguesa. A ideia das ´´palmeiras onde canta o Sabiá`` repete-se ao longo do poema, exercendo, de forma sutil, o papel de refrão.


Na segunda estrofe, o eu lírico faz elogios sem medidas aos atributos nacionais. Note-se, nesse poema, a posição de superioridade em que a natureza brasileira é colocada em relação a outros ambientes (hipérbole sugerida pelo ´´mais``). Essa idealização era própria da estética romântica, bem como a exaltação da natureza. Para se ter uma ideia da importância desse poema, toda esta estrofe foi ´´emprestada`` por Osório Duque Estrada para colocá-la na letra do Hino Nacional Brasileiro.


Na terceira e quarta estrofes, a Canção é marcada pela reiteração obsessiva dos termos exclusivos ao ´´``. A estes, associa-se a solidão, que é assimilada aqui como um meio através do qual o eu lírico se apóia para reafirmar, a todo instante, a superioridade de sua terra natal em contraponto ao exílio (inclusive psicologicamente, pois encontra ´´mais prazer``). Assim, devemos compreender que o saudosismo do poema supera o plano puramente emocional, assumindo uma postura metafísica. Vale apena observar que o poeta reúne elementos básicos de expressão em prosa – narração e descrição – e os transforma em pura poesia idílica.


É só na moldura do solo pátrio que a natureza (brasileira) adquire um maior valor, um valor que em nenhum outro lugar ela pode ter. Na quinta estrofe, o eu lírico promove o encontro com Deus (que está em todo lugar) nos elementos naturais (panteísmo). Paralelamente à significação da Pátria, este poema pode também ser lido como alusão a um possível Paraíso em que toda angústia e todo embaraço se dissolvem.


É curioso saber que o poeta morre, num naufrágio, na entrada do porto de São Luís do Maranhão, naquele retorno que julgava ser o último, pois estava muito doente, com tuberculose, praticamente em estado terminal.


Observe, então, que este poema é menos individual e mais coletivo: o poeta sai de si e fala de sua realidade exterior, a Pátria. Dela extrai elementos que devem refletir e reforçar o sentimento patriótico dos leitores. Desempenha, assim, um papel semelhante ao dos autores de romances indianistas e históricos. Isto revela que os traços mais gerais de um estilo literário – no caso, o patriotismo romântico – repetem-se ao longo de gêneros e autores.


São inúmeros os autores que, inspirados na ´´Canção do Exílio``(parafraseado ou parodiado), trataram da questão do amor à Pátria desde então: Casimiro de Abreu, Oswald de Andrade, Carlos Drummond de Andrade, Mário Quintana, Murilo Mendes, só para citar os mais conhecidos. Vale a pena, porém, conhecer os versos de Tom Jobim e Chico Buarque de Holanda compuseram para tratar da nossa amada Pátria no conturbado período da ditadura militar iniciado em 1864 – um modo lírico e delicado de falar do desconsolo de viver distante da terra natal.


6 comentários:

  1. Parabéns pelo blog. Difícil achar algo assim na "blogosfera".
    Abç!

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  2. cara o conteúdo é excelente
    Pena que eu tive que copiar manualmente tudo.
    foi horrível algo poderia ser feito em alguns segundos demorou horas.
    Um forte abraço.

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  3. glad to see you new piece.
    beautiful imagery.

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  4. magical nature and sky imagery,
    musical and sing song word flow.

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  5. Olá, Nelson!
    Toda vez que me ponho a comentar suas publicações, sinto-me frágil.
    Fragilidade diante da força de suas palavras.
    "Canção do Exílio", maravilhoso poema, eternamente em nosso coração!
    Gonçalves Dias, desde as primeiras leituras fez-me sentir Pindorama, aquém da visita das naus lusitanas em nossas águas. Faz-me, agora, deitar-me à sombra das palmeiras e ouvir os sabiás toda vez que viajo para fora do Brasil. Não suportaria, jamais, o exílio, "o desconsolo de viver distante da terra natal...", essa terra onde as aves gorjeiam como apenas gorjeiam no paraíso, acredito!
    Abraços, admiro demais seu blog!
    Regina Gaiotto

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  6. Parabéns pelo blog maravilhoso me ajudou muito
    Gilmara Bezerra

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