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sábado, 25 de setembro de 2010

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades - Camões



Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto,
Que não se muda já como soía.

Vocabulário
Vontades: afetos.
Ser: caráter.
Qualidades: valores.
Esperança: esperado.
Soía: costumava.
Mor: maior.

Segundo a edição das Rimas organizada por Costa Pimpão, Camões compôs em medida nova (versos decassílabos) treze odes, onze canções, nove elegias, oito éclogas, quatro oitavas e uma sextilha, além de 106 sonetos. Camões mostra extraordinária inspiração em todas as formas líricas que praticou, mas os sonetos se destacam do conjunto, não só pela quantidade, mas também pela qualidade, que não raro atinge o sublime. Nas outras modalidades, Camões também atinge momentos máximos de poesia, mas o soneto, por ser breve, ensejou-lhe um exercício de concentração poética que somente os poetas maiores conseguem realizar.

O soneto é uma forma de composição, de origem provençal, consagrada pelo poeta italiano Petrarca, no século XIV. Petrarca assimilou a essa forma medieval o espírito da Antiguidade greco-romana e fez o soneto tornar-se a composição lírica mais famosa do Ocidente. A influência petrarquista nos sonetos de Camões é notável, mas o poeta português soube marcar sua originalidade e estar à altura do modelo, rivalizando com ele na excelência de seus versos.

A lírica camoniana é marcada por uma visão do mundo dinâmica. A natureza e o homem, com seus sentimentos e afetos, estão sujeitos a mudança. Essa é a essência das coisas. Mas, para o homem, as transformações são sempre para pior, e de nada adianta estar prevenido, pois a mudança é imprevisível, uma vez que ela própria muda também.

A ideia de que toda a existência é constituída por contradições contínuas aparece em Heráclito, um dos maiores pensadores gregos. Foi Heráclito quem disse que ninguém pode banhar-se duas vezes no mesmo rio, por serem suas águas sempre outras e não mais aquelas em que nos banhávamos. Para este filósofo, e para uma longa tradição que o seguiu, nada fica sendo o que é, tudo muda, ou seja, tudo entra em contradição com o que era antes. Assim, para Heráclito, o mundo não passaria de uma eterna guerra de contradições e mudanças.

De qualquer forma, direta ou indiretamente, Camões foi sensível à tradição iniciada por Heráclito. Dessa tradição Camões veio a extrair, além da sugestão temática da mudança contraditória das coisas no tempo, a sugestão mais radical ainda de uma espécie de desconcerto do mundo, que é a inesperada mudança dentro da própria mudança, que exprime sempre um ritmo absoluto e degenerado do mundo.

Comentários sobre o poema

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Do ponto de vista conceptual, este é dos mais perfeitos sonetos camonianos. Todo ele afirma a instabilidade do mundo. É importante ressaltar que, enquanto as mudanças da natureza seguem um ritmo previsível (como as estações do ano, por exemplo), as alterações sofridas pelas pessoas são causa de inevitável sofrimento, porque vêm associadas à passagem do tempo. 

Do ponto de vista formal, apresenta uma composição fixa de catorze versos, distribuídos em dois quartetos e dois tercetos, com versos em contagem decassílaba, com tônicas e subtônicas nas quartas e sextas sílabas. Há presença de rimas ao longo do poema: ABBA/ABBA/CDC/DCD (interpolada nos quartetos e cruzada nos tercetos).

Na 1ª estrofe, o eu lírico apresenta-nos a temática que vai desenvolver: a mudança. Essa ideia é explicitada nos seguintes trechos: “Muda-se o ser, muda-se a confiança; / Todo o mundo é composto de mudança”. Reconhece a mudança que envolve tudo: os sentimentos, o caráter, a confiança, os valores humanos. Observe as anáforas (repetição da mesma palavra no princípio de frases ou versos consecutivos) referentes ao verbo ´´mudar``.

Na 2ª estrofe, o eu lírico emite sua opinião sobre as mudanças (elas não são as esperadas e sempre trazem o pior). É o pessimismo e a frustração, porque tanto do bem, conceituado com algo hipotético (´´se algum houver``), quanto do mal (consistente na ´´lembrança``) o que resulta são saudades ou mágoas. Neste sentido, o único dado permanente parece ser a tristeza, pois para ela não há saída nem alternativa.

Na 3ª estrofe, para exprimir suas desilusões e seus conflitos diante do mundo, o eu lírico estabelece uma comparação entre a ação do tempo sobre si próprio e sobre a natureza. As expressões ´´neve fria`` refere-se ao inverno e ´´verde manto`` à primavera. As expressões ´´doce canto`` e ´´choro``, estados de espírito do eu lírico, referem-se respectivamente à alegria e à tristeza. A ação do tempo para a natureza é positivo, pois transforma o inverno em primavera (estação das flores); para o eu lírico, contudo, é negativa, pois transforma a alegria em tristeza. Para estabelecer essas comparações, o eu lírico faz uso da antítese, uma figura de linguagem que consiste em aproximar ideias opostas. 

Os pares antitéticos são : neve fria e verde manto; doce canto e choro. A oposição de ideias confirma o estado emocional do conflito, desagregação, mágoa e frustração do eu lírico. São demonstrações de que o mundo é dominado pelas contradições e mudanças que tendem ao labirinto e à perplexidade.

Na 4ª e última estrofe, o eu lírico parece estar conformado com o fluxo natural da mudança, porém algo o incomoda: ´´Que já não se muda mais como soía``. É a pura constatação de que própria mudança é inconstante e se altera (chave de ouro do soneto). A inconstância das coisas deixa o eu lírico ainda mais desorientado( a mudança da própria mudança), pessimista e perplexo diante do mundo que ele não compreende. Sente-se manipulado pelo destino e pela fatalidade.

O desengano e o desconcerto representam um importante motivo poético não apenas na obra de Camões, mas também em toda tradição poética em língua portuguesa. O eu lírico desses textos filosóficos revela um homem angustiado e perplexo diante do seu tempo. A transitoriedade do mundo é muito veloz. Rapidamente se alteram os princípios e valores do convívio social, mas os valores do homem-indivíduo – não do homem massa, multidão – não se alteram à mesma velocidade. Daí o sentimento individual de desagregação, de desengano.

Camões foi o primeiro a aprofundar a tensão ´´eu x mundo`` – a essência do lírico –, inaugurando em língua portuguesa uma tradição explorada por quase todos os movimentos literários seguintes, até os nosso dias. O sentimento pessimista desses textos não condiz plenamente com o espírito renascentista. Da obra camoniana, a parte eminentemente renascentista são Os Lusíadas, contaminada ainda pelo espírito eufórico e nacionalista das navegações e descobertas.

A lírica de Camões, pelo conflito espiritual que revela, em grande parte pelas sutilezas de pensamento, pelo jogo constante das antíteses e pelas inversões de linguagem, prenuncia o movimento literário seguinte, o Barroco. Por esse motivo, a lírica camoniana é considerada por alguns como maneirista, dado que se chamou Maneirismo ao período de declínio do Renascimento e transição para o Barroco.

domingo, 12 de setembro de 2010

Lembrança de morrer - Álvares de Azevedo


´´Deus tinha acendido na alma do mancebo aquele fogo sagrado da poesia, que eleva o homem acima da terra e faz correr de seus lábios, em cânticos sonoros, a linguagem do inspirado``.
Trecho do discurso do escritor e seu parente, Manuel Antônio de Almeida, no enterro do poeta.

Lembrança de morrer
´´No more! O never more!`` (Não mais! Oh nunca mais!)
Shelley ( poeta romântico inglês)

Quando em meu peito rebentar-se a fibra,
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nem uma lágrima
Em pálpebra demente.

E nem desfolhem na matéria impura
A flor do vale que adormece ao vento:
Não quero que uma nota de alegria
Se cale por meu triste passamento.

Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto, o poento caminheiro
– Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro;

Como o desterro de minh'alma errante,
Onde o fogo insensato a consumia:
Só levo uma saudade – é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia.

Só levo uma saudade – é dessas sombras
Que eu sentia velar nas noites minhas ...
De ti, ó minha mãe! pobre coitada
Que por minha tristeza te definhas!

De meu pai... de meus únicos amigos,
Poucos – bem poucos – e que não zombavam
Quando, em noites de febre endoudecido,
Minhas pálidas crenças duvidavam.

Se uma lágrima as pálpebras me inunda,
Se um suspiro nos seios treme ainda,
É pela virgem que sonhei... que nunca
Aos lábios me encostou a face linda!

Só tu à mocidade sonhadora
Do pálido poeta destes flores...
Se viveu, foi por ti! e de esperança
De na vida gozar dos teus amores.

Beijarei a verdade santa e nua,
Verei cristalizar-se o sonho amigo ...
Ó minha virgem dos errantes sonhos ,
Filha do céu, eu vou amar contigo!

Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz, e escrevam nela:
Foi poeta – sonhou – e amou na vida.

Sombras do vale, noites da montanha
Que minha alma cantou e amava tanto,
Protegei o meu corpo abandonado,
E no silêncio derramai-lhe canto!

Mas quando preludia ave d'aurora
E quando à meia-noite o céu repousa,
Arvoredos do bosque, abri os ramos.
Deixai a lua pratear-me a lousa!

Vocabulário
Fibra: qualquer filamento ou fio; força de ânimo; valor moral; firmeza; energia.
Tédio: aborrecimento, fadiga, enfado.
Enlaçar: prender com laços, atar, unir.
Passamento: morte.
Caminheiro: caminhante, viandante.
Dobre: som de sino dando volta sobre o eixo, o que geralmente é sinal de morte.
Desterro: solidão, degredo.
Demente: louco, fora de si.
Errante: vagante, que anda sem destino.
Embelecer: embelezar; tornar belo.
Velar: passar a noite junto à cabeceira de um doente.
Definhar: enfraquecer; consumir-se pouco a pouco; abater-se.
Preludiar: ensaiar a voz ou um instrumento antes de começar a cantar ou a tocar.
Lousa: laje; pedra de túmulo. Nela geralmente se identifica quem está enterrado, com o nome e as datas de nascimento e morte.
A expressão de angústia, do sofrimento, da dor existencial marca grande parte dessa produção da 2ª geração romântica, conhecida também como Mal do século, Byroniana (numa alusão ao poeta inglês Lord Byron) ou fase Ultrarromântica. Do desequilíbrio existencial resulta a fuga na fantasia, no sonho, a obsessão pela morte e a atração por paisagens sombrias. É o chamado ´´lirismo da descrença``, do qual Álvares de Azevedo é o poeta mais representativo.

Sua obra, influenciada também pela sua personalidade adolescente, revela ambigüidade, indecisão: ora aspiras aos amores virginais e idealiza a mulher; ora descreve-a erotizada e degradada. Foi o poeta brasileiro que mais se deixou contagiar pelo ´´Mal do século``, influenciado sobretudo pela leitura de autores como Byron, Musset e Goeth. A temática do tédio e da morte, o ceticismo e o culto do funéreo atravessam toda a sua obra; a angústia, a descrença e o satanismo estão presentes até mesmo no lirismo amoroso, no qual o amor e a felicidade se mostram como coisas inatingíveis.

Álvares de Azevedo escreveu também obra em prosa, da qual se destacam os contos do livro Noite na taverna. Neles, criaturas marginalizadas são personagens de enredos ambientados em cenários escuros, tétricos.

Na poesia do mal do século, marcada por forte subjetivismo, o poeta expressa uma visão pessimista da vida. Felicidade e realização amorosa são objetivos inatingíveis. O eu lírico mergulha na depressão, no sonho e no devaneio. Por isso a perspectiva da morte é sempre lembrada.

Comentários sobre o poema

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´´Lembrança de morrer`` é formado por estrofes de quatro decassílabos (12 quartetos), com exceção da primeira, em que o último verso (4º) é hexassílabo (esquema rítmico 2-6). O segundo e o quarto versos de cada estrofe rimam entre si (versos pares); em alguns casos, o primeiro e o terceiro apresentam rima soante (rimam apenas as vogais das sílabas tônicas). O texto tem um tom grave e melancólico.

 Esse poema, como o próprio título sugere, aborda o tema da morte prematura, ainda na juventude, como era comum na época em que viveu o autor. A função emotiva da linguagem, predominantemente no poema, revela uma característica do Romantismo: o subjetivismo.

Nas três primeiras estrofes do poema, o eu lírico refere-se a sua própria morte. É interessante salientar que a morte (metáfora constante na poética do autor) é apresentada, em linguagem figurada, por meio de eufemismos (figura que atenua) como, por exemplo, na expressão: ´´rebentar-se a fibra / Que o espírito enlaça à dor vivente``. Essa deliberada vontade de morrer resulta de uma visão pessimista da existência humana (característica ultrarromântica). Em tom de despedida, o eu lírico pede, na 1ª estrofe, para que não chorem por ele: ´´Não derramem por mim nem uma lágrima/ Em pálpebra demente. ``

Nada o prende à vida, dela não se leva qualquer lembrança. Acredita que encontrará na morte o que em vão procurou em vida, a ausência de dor. Por isso, na 2ª estrofe, considera necessário que não se entristeçam (´´Não quero que uma nota de alegria/ Se cale por meu triste passamento``) e não coloquem flores (pureza que ´´adormece ao vento``) sobre o seu corpo (matéria impura).

Na 3ª estrofe, o eu lírico compara a morte a duas situações: o caminhante empoeirado que deixa o tédio do deserto (verso que apresenta enjambement) e um pesadelo do qual se desperta com o toque de um sino. Ambas as situações sugerem que a morte, para o eu lírico, é um alívio, uma libertação de uma situação de sofrimento.

Então a vida é morte, é pesadelo e também solidão. Na 4ª estrofe, observamos a imagem do exílio (desterro), em que a alma é consumida por um fogo insensato, o fogo da paixão sublimada, que no entanto deixa uma saudade. É a manifestação do eu lírico na ilusão amorosa.

Na 5ª estrofe, o pessimismo e a morbidez são os traços românticos que nela se evidencia, pois o eu lírico está claramente cansado da existência. Entediado e desiludido, anseia pelo fim. Novamente manifesta saudades: das sombras sentidas durante as noites de insônias e da mãe, fiel em velar o filho, na proximidade da morte.

Na 6ª estrofe, o eu lírico destaca o amor paterno e à fidelidade dos poucos amigos que, durante a doença, não zombaram de seu ceticismo (´´Minhas pálidas crenças duvidavam``). Essa espécie de tédio melancólico constituía o cerne do ´´Mal do século``(também chamado de spleen), a combinação de enfado, cansaço e desilusão que boa parte da juventude intelectual assumia como postura existencial.

Na 7ª estrofe, o amor e a felicidade são retratados como coisas inatingíveis (sonhado e não concretizado). Uma lágrima ainda cai dos seus olhos e, se resta um sopro de vida em seu peito, é graças à virgem dos sonhos do eu lírico, que nunca o beijou: ´´E pela virgem que sonhei.../ que nunca os lábios me encostou a face linda``(versos em que o esse tipo de amor ´´idealizado`` aparece claramente.

Na 8ª estrofe, o eu lírico declara as alegrias que esse sonho lhe causou (razão de sua existência). A virgem intocada, nunca beijada (estilo mulher-anjo da tradição medieval), que deu flores e esperança à mocidade, para que um dia pudesse gozar dos seus amores.

Na 9ª estrofe, a morte surge como plano superior de realização amorosa: é depois dela que o sonho do beijo será realizado com a mulher que é virgem e filha do céu. . A expressão ´´virgem dos errantes sonhos``, constante na poesia de Álvares de Azevedo, é produto de um ideal de pureza inconciliável com a realidade – razão pela qual ´´o sonho amigo`` do eu lírico (o gozo dos amores) só poderá ser realizado em uma outra esfera. A paixão pela morte e a impossibilidade de realização amorosa alia-se o tédio de viver, que pode ser observado no mesmo texto: há poucos motivos para saudades.

A 10ª estrofe é quase uma síntese do Romantismo. O eu lírico pede para ser enterrado com um epitáfio (uma inscrição que se coloca sobre o túmulo) que pode ser lido como um lema ultrarromântico (´´Foi poetasonhou- e amou na vida``) uma vez que contém elementos essenciais dessa tendência: o poeta da segunda geração valoriza essencialmente o sonho e o amor (e os dois elementos associados – o amor que existe apenas no sonho) em sua poesia. Outros elementos descritos expressam as ideias românticas:
´´Cruz``: referência a fé cristã;
´´Leito solitário/floresta dos homens esquecida``: referências à morte e atração mórbida por ela.

A 11ª estrofe é marcada pela personificação ou prosopopéia que ocorre quando o eu lírico se dirige às sombras do vale e às noites da montanha pedindo: ´´protegei o meu corpo abandonado / E no silêncio derramai-lhe canto``. Esse procedimento confere ao poema um caráter lúgubre e mágico.

Na última estrofe (12ª), o eu lírico reforça essa relação intimista com a natureza (funções reservadas para a natureza após sua morte). Pede para que os arvoredos abram espaços e deixem que a lua pranteie e ilumine sua sepultura. Que, assim, a natureza o conforte e lhe dê aconchego

Entre os vários textos confessionais de Álvares de Azevedo, ´´Lembrança de morrer`` (escrito trinta dias antes da morte do poeta, foi lido em seu enterro pelo romancista Joaquim Manuel de Macedo) é um dos mais significativos por abordar diferentes angústias e ansiedades do poeta do Mal do século.

Estão presentes no texto a fixação pela morte como solução dos problemas, o egocentrismo, a virgem sonhada, a solidão, o ambiente familiar, o clima crepuscular, a visão do cemitério (chegando o poeta a escrever o seu próprio epitáfio: ´´Foi poeta – sonhou – e amou na vida``). No poema de Álvares de Azevedo, a morte é bem-vinda, representa um alívio para o tédio, o fardo que é a vida. Essa visão carrega os conceitos típicos do Ultrarromantismo.