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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Análise do poema Buscando a Cristo



BUSCANDO A CRISTO

A vós correndo vou, braços sagrados,
Nessa cruz sacrossanta descobertos,
Que, para receber-me, estais abertos,
E, por não castigar-me, estais cravados.
A vós, divinos olhos, eclipsados
De tanto sangue e lágrimas abertos,
Pois, para perdoar-me, estais despertos,
E, por não condenar-me, estais fechados.

A vós, pregados pés, por não deixar-me,
A vós, sangue vertido, para ungir-me,
A vós, cabeça baixa p´ra chamar-me.

A vós, lado patente, quero unir-me,
A vós, cravos preciosos, quero atar-me,
Para ficar unido, atado e firme.

Vocabulário
Sacrossanto: sagrado e santo
Cravado: pregado
Eclipsado: encoberto
Verter: derramar
Ungir-me: abençoar-me
Patente: acessível, claro, aberto
Cravos: pregos usados na crucificação

Comentários sobre o poema

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A estrutura formal desse soneto (uma composição de forma fixa, com 14 versos, dispostos em 4 estrofes, constituídas, segundo o modelo petrarquiano, de 2 quartetos e 2 tercetos. Os versos são decassílabos heróicos de esquema rítmico 10(6-10). As rimas são do tipo ABBA, ABBA, CDC e DCD.
Gregório de Matos atribui um sentido simbólico ao corpo crucificado de Cristo, vendo nele o abrigo ou a proteção que sua alma deseja. Se, de um lado, o corpo pregado na cruz transmite impressão de grande sofrimento, por outro, é esse mesmo sentimento que dará ao poeta o perdão e a salvação, pois Cristo sofreu para salvar o ser humano, o seu sangue tem sentido resgatador. Ao descrever o corpo de Cristo, o poeta revela-nos a dimensão espiritual do sofrimento físico.

Observamos, nesse soneto, a manifestação de uma característica típica do estilo barroco: o uso de situações ambivalentes, que possibilitam dupla interpretação. Assim, os braços de Cristo são apresentados como abertos e cravados; seus olhos estão despertos e fechados, seus pés pregados e imóveis reforçam a ideia de grande sofrimento ao mesmo tempo em que sugerem que Cristo não sairá de perto do pecador (não o abandonará). O sangue vertido na cruz também adquire um determinado valor, pois é através desse líquido sagrado que o pecador será salvo. A cabeça baixa, caracterizando o fim das forças de Cristo e a sua morte física, é vista como uma atitude de amor: um gesto afirmativo para a salvação, libertando-o de todos os pecados.

No último terceto, o desejo de união espiritual com Cristo é representado pela consagração de união física(´´Para ficar unido, atado e firme.``), um exemplo claro de fusionismo, ou seja, da manifestação do desejo humano de unir-se a Deus.

A base do soneto é construída a partir de um sistema de metonímias que vão relacionando as partes de Cristo ("braços", "olhos", "pés", "sangue", "cabeça"), substituindo todo o Cristo crucificado. O culto ao contraste, percebido através dos versos 7 e 8 (´´perdoar-me`` e ´´condenar-me``),constitui uma das principais características do estilo barroco: a antítese (marcada pela oposição de ideias).
Os versos 5, 9, 10, 11, 12 e 13 constroem-se com a omissão da locução verbal "correndo vou” (apresentado na 1ª estrofe- v.1), procedimento estilístico denominado zeugma (= elipse de uma palavra ou expressão próxima no contexto; termo que já apareceu antes). Outro recurso empregado são as anáforas (repetição de palavra(s) no início de dois ou mais versos): “a vós” (v. 5, 9, 10, 11, 12, 13) e "e por não" (v. 4 e 8).

Percebemos, também, a presença do hipérbato (consiste na inversão da ordem direta dos termos da oração): "A vós correndo vou, braços sagrados / Nessa Cruz sacrossanta descobertos”. A linguagem do poema é ornamentada através da hipérbole(exagero de uma ideia com finalidade expressiva) marcando a subjetividade do poeta face a visão de mundo.

O que mais sobressai, em toda obra sacra de Gregório, é seu senso de pecado, a constatação da fragilidade humana, o temor diante da morte e a condenação eterna. Em termos autobiográficos, essa faceta de pecador arrependido aparece nas poesias de Gregório já na fase final de sua vida, quando se encontrava mais próximo da morte, porque, em sua mocidade, fizera várias composições desafiando o poder divino.


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

O Quinhentismo brasileiro

Logo após a descoberta do Brasil, em pleno Renascimento europeu, o país passou por um período de reconhecimento. Algumas expedições foram enviadas ao continente americano no sentido de travar os primeiros contatos com seus habitantes e de explorar a terra recém-descoberta. Mais tarde, trinta anos após o descobrimento, é que a metrópole, procurando garantir o seu domínio sobre a terra, passou a enviar expedições que tinham como propósito a colonização. Não se considera, pois, a produção literária do Quinhentismo no Brasil como brasileira; afinal, foram jesuítas europeus e viajantes portugueses os primeiros a produzir textos em solo americano.


A literatura é feita no Brasil, fala do Brasil, mas reflete a visão de mundo, as ambições, as intenções do homem europeu, particularmente do ibérico, que manifesta duas preocupações distintas e, apesar do aparente antagonismo, complementares: de um lado, a preocupação com a conquista material resultante da política das Grandes navegações; de outro, a preocupação com a conquista espiritual, a necessidade de ampliar a fé cristã, resultante do movimento religioso da Contra-Reforma.


Assim, no Brasil-Colônia do século XVI as manifestações literárias significativas ficam por conta das crônicas e das cartas e tratados de viagens, os quais informam aos governantes portugueses tudo sobre a nova terra – a literatura informativa – e da poesia e do teatro que, cultivados pelos jesuítas, tinham a finalidade de influenciar na catequese dos índios – a literatura jesuítica. Destacam-se no período a carta de Pero Vaz de Caminha e a produção de José de Anchieta.


A produção de Anchieta no Brasil quinhentista está impregnada de idéias religiosas e conceitos morais e pedagógicos. Tanto seus poemas quanto suas peças teatrais, revelando características de uma tradição medieval, mostram a sua total indiferença em relação às idéias antropocêntricas cultivadas pelo renascimento.


Não há cousa segura.
Tudo quanto se vê
se vai passando.
A vida não tem dura.
O bem se vai gastando.
Toda criatura
passa voando.

Em Deus, meu criador,
está todo meu bem
e esperança
meu gosto e meu amor
e bem-aventurança.
Quem serve a tal Senhor
não faz mudança.

..............................................

(Em Deus, meu criador, José de Anchieta)


Nesse fragmento, Anchieta utiliza uma linguagem simples, refletindo, basicamente, o conteúdo religioso a ser transmitido, deixando transparecer a visão medieval de que todas as coisas do mundo dependem de Deus. Os versos não têm métrica regular, mas são curtos ( seis, quatro, cinco sílabas métricas); há rima e as duas estrofes têm o mesmo número de versos.


A primeira estrofe do poema retrata a rapidez das mudanças, fruto da ação avassaladora do tempo, perante a instabilidade e a insegurança da vida humana.


Já na segunda estrofe, Anchieta demonstra que a estabilidade do crente é realizada através da vida em Deus(única coisa que pode trazer segurança e felicidade).


Em suma: só resta ao ser humano a esperança do encontro com Deus. É nele que o homem pode alcançar a plenitude da vida eterna. A vida é apenas insegurança e instabilidade, mas Deus é constância.


As manifestações literárias desse período vão estimular, sem dúvida, nossa produção futura.O interesse pelos índios, pela natureza e por nossas raízes históricas servirá de motivo para alguns de nossos melhores escritores.


Oswald de Andrade, por exemplo, em dialogo com esse período informativo da literatura, surpreende-nos com sua visão moderna da carta de Pero Vaz de Caminha.


Pero Vaz de Caminha


a descoberta

Seguimos nosso caminho por este mar de longo
Até a oitava da Páscoa
Topamos aves
E houvemos vista de terra

os selvagens

Mostraram-lhes uma galinha
Quase haviam medo dela
E não queriam pôr a mão
E depois a tomaram como espantados

primeiro chá

Depois de dançarem
Diego Dias
Fez o salto real

as meninas da gare

Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis
Com cabelos mui pretos pelas espáduas
E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas
Que de nós as muito bem olharmos
Não tínhamos nenhuma vergonha


(Oswald de Andrade)


Oswald de Andrade retoma, ironicamente, a Carta de Caminha. Ao deslocar fragmentos da Carta, reescrevendo-os em versos, Oswald chama a atenção para aspectos literários não-relevantes no contexto original de produção. Oswald ressalta as imagens poéticas utilizadas por Caminha para descrever o Brasil, imagens estas provavelmente não calculadas pelo cronista ao escrevê-las, uma vez que sua intenção era meramente informativa.Porém, fora de contexto, às imagens ganham um tom de ironia e crítica, pois o Brasil do início do século XX não era mais um paraíso intocável , marcado pela ingenuidade.


´´Ali andavam entre eles três ou quatro moças, bem moças e bem gentis, com cabelos muito pretos, compridos pelas espáduas, e suas vergonhas tão altas, tão cerradinhas e tão limpas das cabeleiras que, de as muito bem olharmos, não tínhamos nenhuma vergonha.``


(Carta de Pero Vaz de Caminha)


Observe, por exemplo, a passagem das índias nuas em Caminha, transformadas no fragmento ´´As meninas da gare``, que faz uma referência às prostitutas que freqüentam as estações ferroviárias.



domingo, 14 de fevereiro de 2010

Funções da linguagem

A comunicação humana é realizada de várias maneiras: apelos visuais, auditivos, linguagem corporal e, principalmente, através da linguagem verbal. Ao realizar um ato de comunicação verbal, o falante ou escrevente escolhe, seleciona as palavras para depois organizá-las, de acordo com a ênfase que se pretende dar a este ou àquele componente do processo comunicativo, no qual estão sempre envolvidos alguns elementos.


Para melhor compreensão das funções de linguagem, torna-se necessário o estudo dos elementos da comunicação.


A linguagem, como instrumento de comunicação, não é exercitada gratuitamente. Na opinião de Karl Bülher, em sua obra´ ´Teoria da Linguagem``, um enunciado mantém uma relação tripla:


a) com o emissor (1ª pessoa);

b) com o receptor (2ª pessoa);

c) com as coisas sobre as quais se fala (3ª pessoa).


Fundamentando-se nesse esquema, Bülher apresenta três funções da linguagem: expressiva, apelativa e representativa.


Roman Jakobson apóia-se nessas funções, desdobrando-as com nova terminologia: emotiva, conativa e referencial.


Para ampliar a tripartição de Bühler, Jakobson enfatiza mais alguns elementos no processo de comunicação:

a) o canal (ou contato),

b) o código,

c) a mensagem.


Tais elementos são relacionados com três novas funções: fática, metalingüística e poética.


´´Embora distingamos seis aspectos básicos da linguagem, dificilmente lograríamos encontrar mensagens verbais que preenchessem uma única função. A diversidade reside não no monopólio de alguma dessas diversas funções, mas numa diferente ordem hierárquica de funções. A estrutura verbal de uma mensagem depende basicamente da função predominante.`` (Jakobson, Roman, Lingüística e comunicação.)


Em outras palavras, dependendo do tipo da mensagem, devemos considerar a função no momento de comunicação em que a mensagem foi produzida e, conseqüentemente, a finalidade pretendida. Sempre haverá uma função predominante, mas jamais exclusiva.


´´Oh! Páginas da vida que eu amava,

Rompei-vos! nunca mais!Tão desgraçado!...``


(Álvares de Azevedo)


A linguagem, aqui apresentada, está sendo usada para a comunicação de sentimentos pessoais e emoções (construída para expressar o mundo interior do EU poético) Comum, na poesia romântica, o emissor é o centro da comunicação; é movido pela necessidade de manifestar o seu estado psíquico, exteriorizar-se . A presença da interjeição e de frases exclamativas reforça o caráter subjetivo da comunicação. Quando, numa determinada mensagem, predominam essas características, podemos dizer que ocorre a função emotiva da linguagem, também conhecida como função expressiva.


Outros exemplos:


´´Mas que beleza! Que tetéia!Que pancadão! Que pão! Que coisa mais boba! Que gracinha!


(Carlos Drummond de Andrade)


´´E eu respondo, carrancudo: Não.

Não voltarei para ver o que não merece ser visto,

o que merece ser esquecido, se revogado não pode ser.``


(Carlos Drummond de Andrade)


Na função apelativa ou conativa, centrada no tu(2ª pessoa), o falante se dirige a outra pessoa, procurando atuar sobre ela.


´´Não perca tempo em mentir,

Não te aborreças.``


(Carlos Drummond de Andrade)


Nesse caso, a linguagem foi usada para influenciar o receptor, dirigindo-lhe um apelo( o emissor pretende exercer influência sobre o destinatário, intervindo na sua maneira de pensar e agir).Do ponto de vista gramatical, caracterizam bem esta função o vocativo e o imperativo:


´´Ó Fulô! Ó Fulô!

(Era a fala da Sinhá)

vem me ajudar, ó Fulô``!


(Jorge de Lima)


A função referencial ou denotativa é a mais comum das funções da linguagem e centra-se na informação.A intenção do emissor de uma mensagem em que predomina essa função é transmitir dados da realidade ao interlocutor de forma direta e objetiva; comunica algo de um referente ou contexto : uma coisa, uma pessoa, um animal etc(codificada na 3ª pessoa).


´´ E, atrás deles, filhos, netos,

seguindo os antepassados,

vem deixar a sua vida,

caindo nos mesmos laços,

perdidos na mesma sede

teimosos, desesperados,

por minas de prata e ouro...``


(Cecília Meireles)


A função fática, centrada no canal ou contato, serve para alongar ou suspender o circuito da fala, e também para verificar e fortalecer a eficiência do canal. No trecho apresentado a seguir, os personagens não querem ´´dizer`` propriamente alguma coisa( falam apenas para preencher o tempo e manter o contato).


´´Maria Rosa quase que aceitava, de uma vez, para resolver a situação, tal o embaraço em que se achavam. Estiveram um momento calados.

- Gosta de versos?

- Gosto...

- Ah!...

- Pousou os olhos numa oleografia.

- É brinde de farmácia?

- É.

- Bonita...

- Acha?

- Acho... Boa reprodução...``


(Orígenes Lessa)


Na função metalingüística o que se põe em evidência é o código. Visa verificar se o falante e ouvinte estão utilizando o mesmo código: é a linguagem empregada para explicar a a própria linguagem, para criticá-la, ou mesmo para corrigi-la.


´´Hiato – Grupo vocálico em que as duas vozes soam distintamente.Exemplos: O aéreo Rafael anda de baeta.``

(Paulo Mendes Campos)


Na função poética, a mensagem se inclina para si mesma . Valorizam-se as palavras, suas combinações; revelam recursos imaginativos criados pelo emissor. Opõe-se à função referencial porque nela predominam a conotação e o subjetivismo.


Canção da tarde no campo


Caminho do campo verde
estrada depois de estrada.
Cerca de flores, palmeiras,
serra azul, água calada.

Eu ando sozinha
no meio do vale.
Mas a tarde é minha.

Meus pés vão pisando a terra
Que é a imagem da minha vida:
tão vazia, mas tão bela,
tão certa, mas tão perdida!

Eu ando sozinha
por cima de pedras.
Mas a tarde é minha.

Os meus passos no caminho
são como os passos da lua;
vou chegando, vai fugindo,
minha alma é a sombra da tua.

Eu ando sozinha
por dentro de bosques.
Mas a fonte é minha.

De tanto olhar para longe,
não vejo o que passa perto,
meu peito é puro deserto.
Subo monte, desço monte.

Eu ando sozinha
ao longo da noite.
Mas a estrela é minha.


(Cecília Meireles)


Para escrever este poema lírico, Cecília Meireles se valeu de elementos como ritmo, versos e estrofes, revelando intensamente seu mundo subjetivo.


Podemos dizer, em resumo, que as funções da linguagem correspondem à ênfase dada a diversos elementos de um ato de fala. Observe, a seguir, a relação entre esses elementos e as respectivas funções:



terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Os componentes da comunicação humana


O homem sempre necessitou de mudanças,de novas conquistas para a melhora de sua existência. Tudo que ele alcançou no curso de sua história está diretamente relacionado à linguagem: capacidade humana de exteriorizar o pensamento,através de um sistema organizado de sinais que serve como meio de interação entre os indivíduos.Essa necessidade de expressar suas ideias , por meio de sinais, chama-se comunicação.É através dela que o homem compartilha sua visão de mundo, suas experiências pessoais, suas expectativas, seus sentimentos etc.Um conjunto de sinais, utilizado e compreendido por toda uma comunidade, é chamado de código.

Assim, a atividade da linguagem depende de um sistema formado por fonemas(elementos distintivos) e de morfemas (elementos significativos). Esse sistema se estrutura de acordo com as oposições, interdependências e valores de elementos que, conforme a função específica e o conjunto de hábitos típicos de uma comunidade, criam um código através do qual se realiza a linguagem: a língua.

De todos os códigos utilizados pelo homem para expressar suas impressões, sem dúvida alguma o mais importante é a língua(o mais preciso, o mais econômico, o mais rico). Ao selecionar as palavras do código comum, o indivíduo é influenciado , consciente ou inconscientemente, pela sua personalidade , seu gosto, seu meio ambiente e sua cultura( conjunto de experiências de uma comunidade que se acumula graças à transmissão dos conhecimentos adquiridos através da linguagem). As classes cultas de uma comunidade estabelecem modelos para uso de uma língua, através da gramática, mas admitem uma aplicação especial para fins estéticos, a literatura.

A comunidade linguística portuguesa, por exemplo, é formada principalmente por Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe: são países que têm o português como língua oficial. Toda essa comunidade chamada lusófonas utiliza o mesmo código linguístico: a Língua Portuguesa. Apesar da obediência ao código ( língua), respeitando as variações regionais, podemos combinar de modo pessoal o material linguístico posto a nossa disposição e , dessa forma, criar a fala, ou seja, o uso que cada pessoa faz do código linguístico para imprimir um estilo particular de expressão.

Quando falamos com alguém, lemos um livro ou revista, estamos utilizando a palavra como código. Esse tipo de linguagem é conhecido como linguagem verbal, sendo a palavra escrita ou falada, a forma pela qual nos comunicamos. Existe outra forma de comunicação, que não é feita nem por sinais verbais nem pela escrita, é a linguagem não-verbal. Nesse caso, o código a ser utilizado é a simbologia. A linguagem não-verbal também é constituída por gestos, tom de voz, postura corporal etc.


Para que seja cumprida a função social da linguagem no processo de comunicação, há necessidade de que as palavras tenham um significado, ou seja, que cada palavra represente um conceito. Essa combinação de conceito e palavra é chamada de signo. O signo lingüístico une um elemento concreto, material, perceptível (um som ou letras impressas) chamado significante, a um elemento inteligível (o conceito) ou imagem mental, chamado significado.

O ato da comunicação implica busca de entendimento, de compreensão , de intercâmbio, ou melhor, contato. Envolve uma dinâmica que não pode dispensar as unidades que englobam o processo de comunicação: emissor, receptor, mensagem, código, canal e referente.



O emissor, também conhecido como fonte ou remetente, é o elemento que comunica, que formula a mensagem, codifica e envia a mensagem. Ocupa um dos pólos do circuito da comunicação.

O receptor é aquele a quem a mensagem se destina. A comunicação se concretiza no momento em que o receptor (destinatário ou recebedor) interpreta a mensagem, composta de certos signos identificáveis, pois pertencem a um código (língua) que ele conhece.

Chamamos mensagem àquilo que o emissor leva ao receptor, procurando traduzir as suas necessidades: informar, expor ideias e pensamentos, sensibilizar...Serve-se de um código que deve ser estruturado e decifrado. É preciso que a mensagem tenha conteúdo, objetivos e use um canal apropriado.

Código é o sistema organizado de sinais utilizado pelo emissor e de conhecimento do receptor.A atividade do emissor consiste em codificar a mensagem: vertê-la para um código.No outro pólo, o receptor, para que fique de posse da informação, procura decodificá-la, isto é, reconstituir a ideia do emissor a partir do código. O código pode ser verbal (que utiliza palavra falada ou escrita) e não-verbal (gestos, sinais de trânsito, expressão facial etc.).

Canal ou veículo é o meio que possibilita a transmissão da mensagem. Ele funciona no circuito da comunicação, como elemento comum ao codificador e ao decodificador.

Referente ou contexto é a situação circunstancial ou ambiental a que se refere à mensagem.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Análise do texto - A Santa Inês (José de Anchieta)



A Santa Inês (fragmento)



Cordeirinha linda,(a)
como folga o povo(b)
porque vossa vinda(a)
lhe dá lume novo!(b)

Cordeirinha santa,(c)
de Iesu querida,(a)
vossa santa vinda(a)
o diabo espanta.(c)

Por isso vos canta(c)
com prazer o povo,(b)
porque vossa vinda(a)
lhe dá lume novo.(b)

Nossa culpa escura(d)
fugirá depressa,(e)
pois vossa cabeça(e)
vem com luz tão pura.(d)

Vossa formosura(d)
honra é do povo,(b)
porque vossa vinda(a)
lhe dá lume novo.(b)



.....................................................................


(José de Anchieta)

Vocabulário:
Iesu – versão arcaica, medieval de Jesus.
Folga – se alegra.
Lume – luz ( orientação, guia)




****************

José de Anchieta exalta a figura de Santa Inês(considerada um modelo exemplar, porque se submeteu ao sacrifício em nome da sua crença) e incentiva o povo a praticar a fé religiosa cristã. Trata-se de uma literatura jesuítica, preocupada com a conversão dos índios e a manutenção do catolicismo entre os colonos.

Comentários sobre o poema

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Poema em quadras(quatro versos em cada estrofe), com versos curtos (cinco sílabas- redondilha menor), de cunho bem popular, dão ritmo ligeiro ao texto poético, retomando a métrica das poesias medievais( reminiscências da técnica trovadoresca: repetição de assunto e verso), comprovando a total indiferença do religioso ao Renascimento que naquele momento ocorria na Europa.

Não há um esquema rígido em relação à rima: ela é irregular e muitas vezes apenas toante( repetição de vogais a partir da sílaba tônica), conforme indicação no texto. A linguagem é clara(essencialmente ingênua de conteúdo simples, direto, sem complexidade) favorecendo o envolvimento do ouvinte, com a finalidade de sensibilizá-lo para a mensagem religiosa.. O uso do refrão, grifado no texto, favorece a aproximação com o canto e a dança, permitindo assim uma musicalidade, de fácil execução e memória.

O poema fala do confronto entre o bem e o mal de forma bem convincente: a chegada de Santa Inês espanta o Diabo e, graças a ela, o povo revigora a sua fé. A quarta estrofe está centrada em uma oposição, a partir da antítese ( exposição de ideias opostas) apresentada: culpa escura/ luz tão pura. A luz que ilumina o espírito espantará a culpa escura(o pecado).Essa preferência por enfatizar os extremos pode ser considerada, implicitamente, uma característica pré-barroca.